Assaltos na via pública: Polícia chamada a redobrar patrulhamento
Em Luanda, uma das maiores cidades de África, a criminalidade aumenta a passos largos. Embora a Polícia afirma que a situação está sob controlo, as queixas dos cidadãos mostram exatamente o contrário, sobretudo nos bairros mais pobres e na via pública onde os crimes com recurso a armas de fogo, também conhecidos como “crimes violentos”, vão ocorrendo regularmente, sendo as paragens de táxis, alguns dos locais mais apetecíveis para os ‘amigos do alheio’.
Por: Marlita Domingos
Adão Manuel é a mais recente vítima dos crimes que ocorrem na via pública. Segundo contou ao Na Mira do Crime, foi assaltado defronte ao Marco Histórico 4 de Fevereiro, no município do Cazenga, na manhã de terça-feira, 22, por três jovens que, em plena luz do dia, empunhavam uma arma do tipo pistola.
“Eles eram três e ao interpelarem-me apontaram-me logo a pistola para que eu não pudesse reagir. Perdi acção e cedi logo as ameaças dos marginais para não perder a vida”, explicou o jovem.
Segundo conta, foi ainda agredido com duas bofetadas por um deles, enquanto os outros dois procuravam o que havia de valor nos seus bolsos.
“Felizmente tinha o telefone e foi isso que eles levaram por não dispor de grandes somas de dinheiro no momento, pois, apenas tinha os valores do táxi, em moedas metálicas”.
Tão logo receberam o telefone do jovem, por sinal, o único objecto de valor que tinham em sua posse, já que, tal como disse, trata-se de um aparelho digital, novo modelo da marca Nokia C2, cujo valor ronda os 80 mil kwanzas, os marginais puseram-se em fuga dirigindo-se aos intrincados becos da rua dos Comandos.
Vila de Viana: Paragens de táxis cada vez mais perigosas
Segundo apurou o Na Mira do Crime, as inúmeras paragens que circundam o município de Viana estão a ficar cada vez mais perigosas, principalmente, nas primeiras horas do dia, quando os cidadãos estão apressados para irem ao serviço e também no período nocturno, altura que regressam à casa depois de mais uma jornada laboral.
Domingos Teixeira, de 32 anos, perdeu os documentos e os valores que tinha na carteira depois de ‘lutar’ para conseguir um lugar no taxi, numa paragem de táxi no município de Viana, mas para o seu azar, ao tentar reavê-la foi rendido por dois indivíduos visivelmente armados, numa altura que outros jovens, com cara de poucos amigos, aproximavam-se do local.
“Apontaram-me logo a arma na zona do abdómen e para salvaguardar a minha vida não mostrei qualquer resistência. Aliás, não havia outra alternativa senão me tranquilizar e dar-lhes tuto que tinha”, contou garantindo que, na sua visão, a melhor forma de salvar a vida nessas circunstâncias é não oferecer resistência durante os assaltos.
Ao que disse, a criminalidade em Luanda tem tomado proporções alarmantes face aos inúmeros assaltos que vão ocorrendo na via pública, pela facilidade dos meliantes conseguirem armas de fogo e pelas dificuldades dos agentes da Polícia Nacional inibirem estes roubos ou deterem os seus autores.
“Eu acho que a polícia devia reforçar mais o patrulhamento na via pública, nos mercados, e nas paragens de táxi que, do meu ponto de vista, são as zonas com maior fluxo de pessoas e onde a nossa polícia devia trabalhar mais”, disse Mateus Fernandes, solicitando o reforço de agentes nas várias artérias da cidade de Luanda, o que nos dias que correm não se vê.
Fernandes entende que cabe a polícia intervir com meios e homens para um combate cerrado à criminalidade em Angola, com Luanda a liderar as estatísticas criminais, em virtude das falhas que se registam no patrulhamento para inibir ou reduzir as acções dos marginais.











