Nova Urbanização e Kalumana: Aumento da criminalidade afugenta moradores em Cacuaco
Os grupos de marginais dos bairros Vidrul, Bate-Chapa e Pedreira, estão a invadir casas e a realizar assaltos a mão armada, nos bairros Nova Urbanização e Kalumana, no município de Cacuaco. A denúncia vem de moradores que estão a abandonar as suas residências por considerar "insustentável a situação", numa altura que a Polícia Nacional, brindada com novas ‘kupapatas’ para combater a criminalidade só vê fumo.
Por: Edilson Pinto
Isso mesmo relata, Evaristo Konde, morador do bairro Nova Urbanização que, em companhia dos filhos, foi rendido no interior da sua residência, em plena madrugada do mês passado, pelos ‘amigos do alheio’ que, sem dó nem piedade, levaram-lhe diversos bens de valor.
"No mês passado fui surpreendido por marginais, às 3 horas da madrugada. Entraram, não sei como e, colocaram-me. Eu na cama, fiquei sem acção, porque eles estavam armados. Eram quatro marginais que me renderam no quarto com armas, sendo que dois deles estavam na sala e os outros ficaram no quintal a controlar os movimentos da vizinhança”.
Segundio disse, deparou-se com os que estavam no quintal, depois de espreitar pela janela no momento em que os marginais levavam os seus bens, facto que o deixou completamente entristecido por não ter como evitar uma situação daquelas.
“Para começar, no quarto levaram o meu computador pessoal, o meu telefone e a carteira de documentos onde tinha dinheiro. Na sala, levaram o descodificador, o plasma, a botija, a máquina de lavar, o liquidificador, até os sacos de arroz e a comida para os meus filhos", desabafou.
Abandonar o bairro foi a solução
Konde, professor de profissão viu-se forçado a mudar de residência, por temer pela segurança e a dos seus filhos. "Não tive outra escolha: mudei de casa, porque os meus filhos ficaram traumatizados e já não conseguiam ficar em casa", sustentou.
Questionado se já participou o ocorrido a esquadra policial mais próxima, Evaristo Konde, confirma e lamenta a actuação da Polícia, pois, passado um mês desde o sucedido, não conseguiu nenhuma pista sobre o paradeiro dos assaltantes e dos seus bans.
"Fiz a participação a polícia na mesma madrugada. Mas, até hoje não dizem nada, nem sequer têm pistas dos criminosos que até perdi força de lá voltar".
Manuel Elavoko, outro morador do bairro Nova Urbanização, sentiu na primeira pessoa o que é ser rendido na própria casa por marginais.
"Em minha própria casa já sofri assalto três vezes. A minha chefe, que morava aqui também no bairro, abandonou a casa que construiu por causa dos assaltos. Num domingo, por volta das 14 horas, ela tinha saído e os marginais entraram em casa, amarraram todos e levaram os pertences".

Agastado com a situação, Manuel Elavoko, apela a intervenção urgente dos homens da ‘farda azul’ para mudar o quadro sombrio que os moradores vivem diariamente naqueles bairros de Cacuaco.
Recolher obrigatório
"Pedimos a boa organização da Polícia, porque eles aqui passam apenas de vez em quando. Tem havido muitos assaltos e sabemos, até os próprios bandidos sabem, que a Polícia está com dificuldades de combater a criminalidade", critica outro habitante ao revelar que, a partir das 18 horas, ninguém mais pode circular na zona.
"Aqui, 18 horas já estás fechado no mbanje (casa). Por exemplo, tinham posto uma esquadra móvel aqui, mas os polícias não passava lá a noite. Eles trabalhavam das 8 às 16, depois iam-se embora”, contou garantindo que, actualmente, a referida esquadra foi retirada do local deixando o bairro em total abandono no que a segurança pública diz respeito.
João Jacinto, agente policial na reforma e morador da localidade, junta-se as lamentações dos vizinhos e conta que a esposa e a filha não escaparam das acções dos marginais que "tornam o bairro proibido de circular a partir das 18 horas em diante.
Os ‘amigos do alheio’, segundo o agente, andam de motorizadas, armados e as suas ações são feitas tanto nas casas como nas ruas,
“principalmente naquelas ruas onde a Polícia tem dificuldade de entrar", garantiu.
Bairro Kalumana deserto e abandonado
No bairro Kalumana, também no município mais ao norte da província de Luanda, o cenário é desolador.
"Muitos vizinhos já abandonaram as suas casas. Os outros estão a deixar porque não está a ser fácil continuar a viver aqui. A Polícia não é tida nem achada", lamenta Lázaro, um morador da circunscrição há mais de 20 anos.
Polícia acusa municipes de não denunciarem os crimes
Contactado pela nossa reportagem, o Comandante de Cacuaco, ‘Didi’, justifica a falta de mais acção da Polícia porque os munícipes não têm denunciado as acções criminais.
“A situação só chegou a este ponto por falta da cultura de denúncia dos próprios municípes”, limpou as mãos, atirando as culpas aos pacatos cidadão que não têm meios nem como reagir a um ou mais assaltos quando estiverem em presença de meliantes altamente perigos e a empunharem armas de fogo.
Contudo, garante que já fez deslocar efectivos do SIC para proceder a recolha de informações que ajudem a polícia a neutralizar as acções dos supostos meliantes nas zonas em referência.
"Há dois meses que não tivemos o registo de ocorrências de relevância do Nova Urbanização. Agora, há aquelas situações, com certeza, os populares não participam a Polícia, mas, reclamam publicamente. Eu, em tempos, coloquei uma equipa do Serviço de Investigação Criminal (SIC) a fazer um trabalho aturado na Nova Urbanização”, apontou, para depois acrescentar que, em função destas novas denúncias, vai direccionar para lá mais um grupo de pesquisa de informação para possibilitar a tomada de decisão perante os crimes e seus actores naquele território do município de Cacuaco.











