Assalto na via expressa obriga a ‘soltar’ Polícia anti-motim
O assalto violento ocorrido na última segunda-feira, 16 de Agosto, por um grupo de marginais, na avenida Fidel de Castro, Via Expressa, sentido Viana-Benfica, em Luanda, onde uma viatura de transporte de dinheiro da empresa de segurança Socorro foi atacada do qual resultou na morte de duas pessoas - um segurança e um marginal - levou a Polícia Nacional a colocar naquele perímetro da cidade de Luanda os agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), depois dos Serviços de Investigação Criminal (SIC) ter garantido, em conferência de imprensa que as investigações prosseguiam para de identificar os demais autores daquele crime.
Por: Patrícia da Silva
O crime considerado quase raro em Luanda, já que, raras são as vezes que meliantes fazem emboscadas em carros blindados de transporte de valores e raras são as vezes que um número considerável de meliantes – cerca de 10 elementos – em motorizadas de altas cilindradas, como aquelas usadas nas corridas de motocross são vistas em actos criminosos no País.
De acordo com testemunhas, os bandidos, em número de 10 elementos, estavam fortemente armados com armas do tipo AKM, de cano cerrado, idênticas as que foram apresentadas na segunda-feira pelo SIC e seguiam acompanhados em cinco motorizadas, quando surpreenderam os seguranças, que não tiveram tempo de reacção depois de terem sido rendidos.
Este crime, levou a que a Polícia Nacional colocasse, em toda extensão da via expressa, desde a zona da paragem do Patriota, sentido Benfica, até as imediações dos três prédios das organizações AAA, sentido Zango ao Cacuaco, um contingente considerável de agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) e meios só visto em situações extremas, para revistas aos automóveis e procurar devolver o sentimento de segurança perdido na recente acção dos marginais que, em abono da verdade, mostrou que o combate ao crime violento em Luanda precisa de meios e homens melhores dotados.
Não que os agentes de ordem pública não estejam talhados para isso, mas, para acções extremas, os nossos analistas sugerem medidas extremas.
“Há muito que se vem pedindo que os agentes da PIR ou mesmo os militares da guarnição de Luanda auxiliem no combate ao crime violento e a criminalidade que graça em muitos bairros de Luanda onde os próprios agentes perderam o controlo dessas zonas”, explicaram, apontando como exemplo, os bairros Paraiso, Boa Esperança, Rasta, Belo Monte, Pedreira, bairro Huambo e Malajino onde o recolher obrigatório é aplicado pelos ‘amigos do alheio’ com o olhar impávido e sereno das autoridades policiais.
Linchamento do marginal pode dificultar localização da quadrilha
Durante o assalto que ocorreu minutos depois da viatura carregar dinheiro numa das dependências do banco SOL, o segurança que ia do lado do motorista do carro blindado, de nome Paulo José, foi atingido mortalmente com um tiro na cabeça, enquanto um dos marginais foi alvejado na perna e ficou no terreno, tendo sido severamente maltratado pela população.
“A população começou a agredir de tal forma o marginal que só faltou mesmo alguém pegar gasolina e queima-lo vivo. Mas a Polícia chegou a tempo e ainda tentou socorre-lo, mas já não foi a tempo. Acabou por falecer no trajecto para o hospital”, explicaram, facto que chegou a ser confirmado pelo superintendente Manuel Halaiwa, director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC/Geral.
Segundo alguns cidadãos atentos, a morte deste marginal poderá dificultar a acção da Polícia na medida em que faltam pistas da localização, do nome desta quadrilha e até mesmo do paradeiro dos seus integrantes, já que, “a pessoa que deveria facilitar esses dados acabou por sucumbir”, apontaram.
Todavia, sustentaram a Polícia tem ainda um trunfo na manga: “As câmeras de vídeo vigilância colocadas ao longo da via expressa podem facilitar esse trabalho seguindo o itinerário deles para o esclarecimento desse crime onde um pacato cidadão, em busca do seu sustento e a fazer o seu trabalho, acabou por perder a vida de forma trágica”, sublinharam.
Carca de 50 milhões de kwanzas surripiados
Para o desagrado dos seguranças e da empresa onde os mesmos teriam ido a busca dos valores para depositar no banco, os meliantes acabaram por levar o dinheiro, numa clara situação que está a levantar muitas cogitações na possibilidade de ter havido uma pista da empresa de onde os valores saíram ou mesmo dos seguranças.
De acordo com o gerente do armazém os valores eram referentes a venda do final de semana e estavam estimados em cerca de 50 milhões de kwanzas.
Entretanto, durante uma conferência de imprensa na manhã desta terça-feira, o Serviço de Investigação Criminal disse confirmou a morte do segurança e também do marginal.
O superintendente Manuel Halaiwa, porta-voz do SIC / Geral, garantiu que todo o trabalho investigativo está em curso para a localização e detenção dos outros possíveis envolvidos neste crime de assalto concorrido com homicídio.











