Obras 'abandonadas' por falta de pagamentos podem engolir parte do Patriota
A Direção da empresa H&S China Huashi Group, revelou ao NA MIRA DO CRIME que desde o início das suas actividades em Angola, isto há 15 anos, nunca viu o seu principal cliente, o Ministério das Obras Públicas e Ordenamento do Território, a cumprir com o pagamento total do valor cabimento para os projectos celebrados em contrato, estando atualmente à dívida daquele Ministério com a construtora a ultrapassar os 70 milhões de dólares norte-americanos.
Por: Geraldo José Letras
Segundo a funcionária da mesma empresa para a área de tradução, Sandra Daniel, este atraso tem impedido a companhia de terminar várias obras.
“É o caso, por exemplo, do mais recente projecto de construção de infraestruturas integradas que contempla a criação de uma rede pública de abastecimento de água, rede de telecomunicações, rede de drenagem fluvial e esgoto, no Lar do Patriota, lotes 1,2 e 3, ao município de Talatona, onde, por culpa do Ministério das Obras Públicas e Ordenamento do Território que voltou a não concluir o pagamento total do valor da empreitada, tivemos que abandonar as obras já em fase de escavação, e que desde finais de 2019 até o corrente ano, transformaram-se em valas que além de cortarem a circulação dos moradores, vai já colocando várias residências em risco de desabamento”, explicou.

A responsável avançou que, para o caso concreto do bairro Patriota, o contrato celebrado estava orçado em cem milhões de dólares norte-americanos, e faltam pagar 32 milhões de dólares. Mas, para outras empreitadas, a dívida ultrapassa os 70 milhões de dólares.
RAVINAIS ENGOLEM LAR DO PATRIOTA
Para constatar o nível de execução das obras abandonadas desde 2019, pela empresa chinesa H&S por incumprimento do Ministério das Obras Públicas e Ordenamento do Território, a reportagem NA MIRA DO CRIME, sempre por dentro dos acontecimentos, deslocou-se ao Lar do Patriota, onde testemunhou o grito de socorro dos moradores.

Por causa dos buracos que a empresa chinesa deixou em 2019, hoje as ruas estão todas com ravinas, impossibilitando a circulação de viaturas.
“A minha casa, como o caro Jornalista vê, está a ser engolida pelas ravinas", lamentou uma moradora da zona, identificada como Maria, que há mais de 11 meses não consegue sair com a viatura porque as ravinas chegaram até ao portão da sua residência.

"Nós já recorremos à administração do distrito do Patriota, do município de Talatona, ao Governo Provincial de Luanda, já até escrevemos a Comissão dos Direitos humanos da Assembleia Nacional, mas, até hoje ninguém atende a nossa preocupação", lamentou o jovem Nelson, igualmente morador do Lar do Patriota.
Enquanto fazíamos a nossa reportagem, eis que enganado pelo GPS, o estafeta de uma empresa que não se quis identificar, quase acabou ele e a moto em que seguia numa das ravinas.

Triste com o estado em que ficou o bairro, desde a paralisação das obras pela empresa chinesa H&S, Gildo, morador, clama pela conclusão das obras porque "com as chuvas que se avizinham”, acredita que o bairro estará sem circulação possível.
MINISTÉRIO FECHA-SE EM COPAS

Contactada pelo Na Mira do Crime, via telefone, um alto responsável do Ministério das Obras Públicas e Ordenamento do Território disse que não tinha nada para dizer, por não ser sua competência, e pediu para se contatar diretamente o ministro.











