Oito pessoas feitas reféns por falsos taxistas em Luanda
Três meliantes, a bordo de uma viatura “azul e branco”, vulgo quadradinho, que simulava fazer serviço de táxi na rota Zango zero ao Zango 3, até agora não identificados, fizeram reféns 8 cidadãos, na sexta-feira 29, de Outubro, por volta das 18h30.
Por: Matias Miguel
Victor Nganga Sebastião, de 30 anos de idade, é uma das vítimas do rapto e contou ao NA MIRA DO CRIME como tudo aconteceu.
“Na sexta-feira por volta das 18h30, apanhei um táxi quadradinho, defronte ao Alimenta, na Via Expressa, que chamava Zango dois até ao Nosso Super”, disse.
“Subimos eu e mais sete pessoas, e lá já estava um indivíduo no último banco”, lembrou, acrescentando que, quando chegaram a paragem anunciada, a viatura não parou.
“O cobrador desculpou-se dizendo ia parar mais adiante, próximo ao Banco Sol”, mas voltou a não parar.
“Algo chamou-me atenção que estava perante a um assalto, tirei o telefone da bolso e enviei uma mensagem para o meu irmão, informando-o que estava a ser sequestrado”.
No entanto, na primeira paragem do Zango 3, os meliantes anunciaram o assalto, “o cobrador empunhou uma arma do tipo AKM, e no último banco, o indivíduo que o encontramos sacou uma pistola e apontou-me e disse, você enviou uma mensagem diz para quem você enviou”.
De seguida, explica, lhe foi recebido o telefone. “Ele procurou a mensagem, como eu apaguei logo, ele não encontrou, daí recolheram os telefones de todos, ordenaram silêncio caso pretendíamos sair daí com vida”.
De acordo com o nosso entrevistado, o carro percorreu cerca de 60 km, da Comuna do Calumbo para uma mata que desconhece.
“Depois encontramos uma casa feita de blocos, não rebocada, de quarto e sala. Um dos bandidos ordenou-nos que colocássemos todos os pertences num pano que ele estendeu no chão, entregamos cartões multicaixas, dinheiro, relógios, anéis de ouro e carteiras de documentos e as pastas das senhoras”, contou, sublinhando que levava, também, cem mil kwanzas e compras que acabava de fazer.
“Entre nós havia um senhor que tinha dois milhões de kwanzas, fazendo as contas eles ficaram com cerca de cinco milhões de kwanzas entre dinheiro e meios roubados”.
Residência mostrava vestígios de que é utilizada para estes fins
Victor Sebastião, explicou ainda que a residência feita de blocos estava preparada com colchões e lençois.
“Havia dois casais entre nós, e os meliantes ordenaram para estes não dormirem separados, foram colocados num canto, e nós, solteiros, num outro. Tranquilizaram-nos de que não haveria molestação se colaborássemos, e assim foi”, observou.
Depois de mantidos dentro da residência trancados, dois ausentaram-se em busca de alimentação, o terceiro comparsa ficou a nos vigiar. Presumivelmente foram comprar em Calumbo, comprada com o dinheiro recolhido (arroz e frango).
“No Sábado, às 07h00, deram-nos o matabicho (pão manteiga e sumos) duas horas depois anunciaram que estávamos livres, indicaram-nos que direcção seguir, e eles partiram na viatura deles. Quando eles desapareceram, entramos em pânico com correrias de salva-se quem puder, quando dei por mim já estava no mercado do Zango 4, cansado de tanto andar a pé, porque ninguém aceitava dar boleia mesmo contando os factos”, lamentou.











