Assalto ao Banco BCI: 101 milhões de kwanzas colocam de 'costas viradas' comandante do Zango 3 e delegado do SIC
Um mês e um dia depois do assalto efectuado ao Banco Comercial e Industria, situado no município de Viana, vila sede, onde o principal autor do roubo foi um tenente das Forças Armadas Angolanas (FAA) de nome Edson Pitra, ‘abatido’ no mesmo dia por um suposto efectivo do SIC, já detido, a verdade é que, dos milhões roubados, apenas 900 mil apareceram, e continuam em mãos do comandante António Coelho, do Zango 3, principal responsável da operação que teve o desfecho no seu território.
Por: Matias Miguel e Ngunza Chipenda
Dados apurados pela investigação deste jornal, dão conta que o dinheiro continua em mãos do comandante do Zango 3, porque a investigação criminal se recusa a receber ‘apenas’ 900 mil kwanzas, e desconfia que o comandante terá ‘abocanhado’ outros milhões. No entanto, Coelho recusa categoricamente a acusação, e atira a bola para o lado do SIC, que terão tentando apropriar-se dos valores.
Por outra, para os poucos kwanzas encontrados, tem em sua defesa que os assaltantes atiravam dinheiro para rua enquanto eram perseguidos pela polícia.
Segundo fonte bem posicionada no caso e que pediu anonimato, no dia do assalto, depois que o tenente foi rendido pelos agentes da ordem, um dos efectivos do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que até não estava na operação, mesmo o comandante Coelho já ter sob custódia o militar, que até estava desarmado, disparou três vezes contra o corpo do mesmo, causando morte imediata.
E depois de recuperada a pasta do dinheiro, que estava em posse do comandante do Coelho, este rumou para a esquadra da sua responsabilidade, abandonando o local do crime, sem ter esperado os peritos.
“O efectivo do SIC propôs a divisão dos valores ao comandante, mas este não aceitou e saiu com a pasta do local do crime, cometendo um erro grosseiro”, disse a nossa fonte.
“Da mesma forma que o corpo não foi retirado do local pelos polícias, nem houve a remoção da viatura em que seguiam os bandidos, o comandante, em momento algum poderia se retirar do local com o dinheiro, sem antes sem contado pelos efectivos do SIC, que são os homens talhados para tal”, observou.
De acordo com informações em posse do NA MIRA, depois de ‘controlar’ a pasta do dinheiro e questionar o efectivo do SIC o porquê da execução do militar, Coelho rumou para a sua esquadra, e foi seguido por efectivos do SIC e agentes da ordem pública, num viagem que durou cerca de 20 minutos.
Minutos depois, já na esquadra do Zango 3, terá chegado o Segundo Comandante municipal que, junto dos efectivos, contaram o dinheiro e conferiram apenas 900 mil kwanzas.
Coelho e Santos de costas viradas
No entanto, a não observância de princípios básicos de investigação, terá ‘levantado a tampa’ do delegado municipal do SIC em Viana, Santos, que recusou categoricamente receber o dinheiro em posse do comandante do Zango, 3, e ter exigido apenas o depoimento do polícia.
“Santos ficou muito chateado pelo facto do comandante ter levado o dinheiro”, explicou a fonte. Este jornal sabe porém que o caso corre os transmites legais no SIC-Provincial e PGR.
No mesmo caso, três funcionários do banco, sendo o gerente, o subgerente e a tesoureira de 24 anos de idade encontram-se detidos.
Na mesma ideia, familiares do militar morto, pedem justiça e acompanham o caso milimetricamente.











