Distrito do Baia: Agentes da Polícia e efectivos do SIC ‘proibidos’ de circular no bairro “Tempo Muda”
Vários grupos de marginais estabeleceram recolher obrigatório para moradores do bairro “Tempo Muda”, situado no distrito urbano da Baia, município de Viana, entre os municípios de Icolo e Bengo e Cacuaco, proibindo que agentes da ordem circulem depois das 17horas.
Por: Ngunza Chipenda
“Estamos mal, aqui quem manda são os bandidos, se sofres um assalto e chamas a polícia, dia seguinte te queimam a casa”, denunciou um dos moradores da zona, pedindo exaustivamente para não ser identificado.
Segundo o nosso entrevistado, a polícia está proibida de circular no bairro acima das 16horas.
“Essa hora todos os pais estão preocupados em regressar para as suas casas, sob pena de ser sacudido por uns mijões”, lamentou.
Para entrar no bairro, a nossa equipa de reportagem seguiu em duas motorizadas, por volta das 12horas de quinta-feira 14, e fomos alertados para não exibir telefones, nem outro bem de valor.
O que se sabe, segundo moradores, é que a polícia evita actuar naquela zona por causa do número de efectivos.
“Aqui tem mais bandidos que polícias, eles são muitos e se apoiam entre eles, andam armados com arma de fogo, nós, os mototaxistas, só entramos no bairro se formos mais de cinco, mas entramos rápido e saímos a correr, mas nunca depois das 16horas”, atirou um kupapata.
Um ancião que diz morar na zona do “Tio Lito” há mais de 10 anos, conta que o bairro está tão perigoso, que acordar às manhãs significa mais uma chance de vida.
“Eles assaltam qualquer casa que lhes apetecer, agridem quem quiser, não importa a idade da pessoa, existem amigos meus que deixaram de ir a lavra de manhã, por causa destes miúdos, eles não vejam meias medidas para assaltar ou mesmo tirar a vida da pessoa”, lamentou.
Quem são os bandidos e onde actuam?
Em conversa mantida com alguns jovens, o NA MIRA DO CRIME descobriu o nome de alguns marginais tidos como altamente perigoso, onde actuam e quais as zonas mais perigosas do bairro.
Um dos grupos mais perigosos da zona tem o nome de “RELACHADOS”, e é comandado pelo bandido Bebo Loy, de aproximadamente 24 anos de idade. No grupo estão ainda os não menos perigosos Mami Loy, Blusa Py, Cai Folha, Três Tubos e Pin e Puc.
Estes jovens, para além de assaltos a mão armada, estão associados a roubos de motorizadas, e actuam a qualquer hora do dia, principalmente na zona do “Tio Lito” e “Rua Principal dos Comandos”.
O grupo “PC” está enraizado no mesmo bairro, e é formado pelos marginais Cláudio da Pausa, Bandidão, Delevá, Lá pras quatro e dedicam-se principalmente a rixas envolvendo catanas, facas e garrafas.
Os seus adversários são bandidos do grupo “Picó Raló” que, como diz o nome, são especialistas em perfurar corpos humanos com objectos perfurantes, como facas, catanas, lâminas.
Quando estão em luta com outras facções, nenhum morador pode prevalecer na rua, sob pena de pagar com a própria vida.
A zona de conforto para estas acções são, principalmente ao lado do colégio Nova Vida
Kilamba, grupo de adultos, com maior expressão violenta
De acordo com moradores, o grupo “Kilamba” actua no Mercado do 30, está composto por pessoas adultas, que durante o dia fingem ser carregadores de mercadoria na maior praça a céu aberto de Luanda.
“Estes estão em quase todo distrito, são lotadores, mas na calada da noite assaltam a mão armada”, descobriu um morador.
Nomes como “Mil e 500”, “Xogodom” e “Nagrelha”, são apontados como os mais temidos do grupo.
Comparados com a violência que exercem nas suas acções, está apenas o grupo “UDB”, que actua no mesmo distrito.
Neste grupo, está o “De Matar”, “923”, “Pequeno Chato”, “Gelson Paculador”, “Lhe Empurra” e “3 Furos”.
As zonas do bairro tidas como as mais perigosas, são a Rua do Comando, Zona do Tanque, Colégio Nova Vida, zona da Ngonguita e Tio Lito.
De acordo com moradores a falta de uma esquadra no bairro, facilita as acções dos marginas, sendo que a única unidade que apoia o Distrito do Baia, está situado junto a estrada principal, a largos quilómetros de outras zonas.
A falta de meios humanos e rolantes, é também tida como um dos principais factores da falta de policiamento naquelas zonas.











