Território complexo e acidentado: Polícia luta arduamente contra o crime no bairro Belo Monte
O bairro Belo Monte, no município de Cacuaco, é tido como uma das zonas mais perigosas da cidade de Luanda, a par do bairro Paraíso. No entanto, nos últimos dois meses, a Polícia tem efectuado operações precisas a nível de todo o território para ‘expurgar’ aqueles que insistem em práticas criminosas.
Por: Osvaldo de Nascimento
O NA MIRA DO CRIME deslocou-se ao coração do bairro, com vista a aferir a situação de criminalidade da zona, as queixas dos moradores e o grau de prontidão das Forças da Ordem.
Marcolino Joaquim, 72 anos de idade, vive no bairro Belo Monte há sensivelmente 10 anos.
Em entrevista exclusiva a este jornal, o ancião disse que, o bairro, em termos de criminalidade, apresenta um certo sossego, porém, a fronteira com bairros de Viana, tipicamente violentos, condiciona a segurança dos moradores.

“O nosso bairro Ngonguembo tem fronteira com os Mulenvos e o bairro Baixa de Kassanje, de Viana, que é praticamente o nosso maior problema, porque aqueles que saem de Viana fazem aqui as suas acções e conseguem fugir rapidamente para o município deles”, explicou.
De acordo com o idoso, os marginais concentram-se principalmente junto ao Aterro Sanitário dos Mulenvos para assaltar as pessoas que vão recolher objectos no aterro.
“É a delinquência juvenil, os meninos concentram-se ao longo das ruas adjacentes ao mercado Retranca e assaltam as pessoas que saem do mercado com facas e catana”, denunciou, acrescentando que, estes mesmos meninos são filhos de moradores.
Marcolino disse ainda que as noites, nos últimos dois meses, melhorarem no que diz respeito a segurança. No entanto, acrescenta, que ainda ouvem-se tiros na calada da noite.
“Quando ouvimos estes disparos, interagimos com a polícia que tem dado boa resposta a estes casos”.
Uma nota ressaltada pelo morador, é a exiguidade de meios rolantes e homens, para dar devida cobertura ao extenso bairro Belo Monte.
“Temos um posto de Polícia no Ngonguembo, mas os efectivos não são suficientes para cobrir todo bairro”, observou, acrescentando que, nota-se também falta de meios rolantes por parte dos efectivos, que, para além de terem boa vontade para acudir este ou aquele problema, sem meios, “fica com as mãos atadas”.

Por sua vez, Costa Moisés, Presidente do Conselho de Moradores, explicou que a situação de criminalidade da zona é normal, questionado sobre o que era normal, disse ser “não muito boa, não muito má”.
De acordo com o responsável, enquanto tiverem a polícia no bairro, há sentimento de segurança.
A extensão do território, com 10 quarteirões e as vias degradadas, sublinha, condicionam de grande maneira o trabalho dos efectivos.
“Se as vias estivessem em bom estado, facilitava o trabalho da polícia, principalmente a rua da Paróquia São Marcos, que parte das Mangueirinhas e safa na Antena, é uma rua principal que deve ser intervencionada com alguma urgência, mesmo com uma terraplanagem”, alertou.

Iluminação pública é um problema da zona
Apesar de o bairro ter energia da ENDE, pré-paga, os habitantes daquela circunscrição de Cacuaco dizem que a falta iluminação pública facilita a investida dos homens do alheio.
Grupos mais temidos
Alguns grupos de malfeitores, já identificados pelas autoridades, insistem em tirar o sossego das populações do Belo Monte.
Segundo habitantes, o grupo que faz fronteira entre a Baixa de Kassanje e Ngonguembo, “Os Cinco Mil”, “Os Kifufutila”, o grupo que toma conta da zona da ELISAL “Pilha Máxima”, liderado pelo marginal altamente perigoso “Mana Moça”, insistem em criar terror aos moradores.
Porém, os moradores dizem que, nos últimos 30 ou 40 dias, com a chegada do novo comandante do bairro, Intendente Graça, a situação tende a melhorar.
“Reduziram os assaltos a mão armada, há pequenos grupos de rixas, que lutam com catana, facas e outros objectos, que devem ser dados o devido tratamento”, alertou o coordenador do bairro, dando exemplo que, na última semana, um adulto que saía de manhã para o seu local de serviço, ficou sem os cinco dedos da mão direita, depois de ter sido interpelado por um grupo de marginais.
Elisa Mussoque, 38 anos de idade, mudou-se do Cazenga para o Belo Monte.
Questionada sobre os motivos da mudança, disse que o esposo adquiriu uma parcela de terra naquela zona, daí a sua presença naquele espaço. Porém, de uma coisa a jovem não tem dúvida, Belo Monte é de longe mais perigoso que todo Cazenga.

“Vivo aqui há quase um ano, já tentaram me assaltar duas vezes em casa, mas havia um grupo da Turma do Apito que ajudaram”.
A senhora, fiel da igreja Católica, diz que a casa do padre era o dia-a-dia dos bandidos, no que o assalto diz respeito, razão que fez com que o pároco se retirasse da zona.
“O padre teve que mudar de casa, eram muitos assaltos, ele agora vem apenas quando há actividade na igreja”, lamentou.
Em conversa não gravada com o padre da paróquia de São Marcos, Crispim Mayuya, lamentou a situação que o bairro atravessou, e promete manter uma estrita colaboração com o actual comandante.
Dados do bairro
A zona tem cinco bairros, nomeadamente Belo Monte-sede, Deolinda Rodrigues, Marco Histórico, Ngonguembo e 1º de Maio.
A extensão territorial é de 219 km2, tem uma densidade populacional de aproximadamente 267 mil habitantes:
A população que reside naquele território é maioritariamente proveniente do Uíge, Huambo, Zaire, Bengo e Bié.
Belo Monte tem uma Esquadra de Polícia, e possui ainda três destacamentos de polícia, situados no Ngonguembo, na Uma Uma, destacamento do Mono Bloco e uma Esquadra Móvel situada na Rua dos Cabritos.

Sem gravar entrevista, o Comandante Graça, com uma postura típica de um comandante, prometeu dar resposta rápida aos marginais, uma vez que, para além do policiamento de proximidade que está a efectuar, distribui cartilhas com o seu número de telefone e dos operativos da Esquadra, com vista a dar resposta rápida a situações de emergência.











