CNE E UNITA ‘deixam’ País em Stand by
A poucas horas de se conhecer os resultados definitivos do escrutínio realizado pela CNE sobre as eleições gerais de 24 de Agosto, é ponto assente que, no cômputo geral, o MPLA venceu com maioria absoluta, 51,07%, enquanto a UNITA conseguiu 44,05% dos votos
Por: Alves Pereira
Lucas Quilundo, porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) admitiu que "não deverá haver alterações substanciais" nos resultados totais.
Faltam os resultados definitivos, mas pelos dados preliminares até agora apresentados, tanto nos círculos provinciais como no círculo nacional, a vantagem é do MPLA, conferindo-lhe uma maioria absoluta.
Porém, apesar da vitória, o MPLA obteve o pior resultado de sempre. Na manhã desta sexta-feira (26), estavam apurados mais de 97 por cento dos votos e mantinha-se o MPLA à frente com mais de 51 por cento e a UNITA 44,5%. A UNITA venceu, todavia, na província de Luanda de forma esmagadora.
Os dados apontam que o MPLA vai à frente em 16 províncias e a UNITA ganhou em duas províncias, nomeadamente Luanda, com esmagadora maioria, e Zaíre. Havendo ainda um impasse na província de Cabinda, mas a tendência é a vitória da UNITA.
A superioridade númerica nas urnas dos “maninhos” em Luanda, anteriormente considerada como a principal “praça eleitoral” dos camaradas, está a ser vista de diversos ângulos por distintos meios da sociedade em geral e a obrigar a várias reflexões.
A situação, que não agrada de forma alguma os militantes do MPLA e não só, é descrita como resultado da situação de carências sócio-económicas e de desemprego a que está votada grande parte da população, nomeadamente, os jovens. Toda esta grande massa popular, frustrada, mesmo sem simpatias pela UNITA acabaram por votar no partido liderado por Adalberto Costa Júnior.
Por outro lado, está também a ser referido o facto de, no “duelo” que opôs os dois secretários provinciais em Luanda, Bento Bento pelo MPLA e Nelito Ekuikui pela UNITA, o dirigente do “Galo Negro” levou a melhor por ter uma visão mais actual da realidade e aproveitou-se do facto da situação de miséria que afecta muitos cidadãos, o desemprego acentuado, o alto custo de vida e, mesmo para os que ainda trabalham, os salários perderam o poder de compra, entre tantos outros problemas, que desesperam os cidadãos, principalmente os jovens, que veem o seu futuro ameaçado, sem perpectivas de melhoria em pouco tempo.
Os velhos métodos de Bento Bento, actualmente, já não convenceram ninguém, muito menos a camada mais jovem. Como se não bastasse, fala-se em altíssimas somas monetárias que foram postas à sua disposição para “comprar” serviços e a “fidelidade” de alguns sectores da sociedade, mas, entretanto, tais verbas foram mal distribuidas e não serviram devidamente os objectivos dos camaradas. Em vez de “comprar” simpatias, causou mais frustrações que “levaram” o voto para a UNITA.
O MPLA é, oficialmente, o partido mais votado, com pouco mais de 51% dos votos, tendo vencido em 15 províncias, faltando conhecer o resultado definitivo em Cabinda. A UNITA, partido da oposição, aplicou uma “cabazada” na capital, Luanda, a circunscrição mais populosa e a maior praça eleitoral do país.
Assim, a poucas horas de se conhecer o resultado definitivo, o partido liderado por João Lourenço mantém-se na frente, seguido pela UNITA de Adalberto Costa Júnior. Os restantes partidos não foram além dos 2% na votação geral.
A grande decepção, e que está a ser considerada, por analistas políticos, como a maior perdedora destas eleições gerais, é a coligação CASA-CE que, de terceira maior força política, foi “reduzida” a um “clube de compadres”. A grande revelação é o partido PHA, liderado por Bela Malaquias.
Entretanto, das várias análises que estão a ser feitas, destaca-se que a tendência do escrutínio, vai alterar o panorama político em Angola e, eventualmente, obrigar a pactos de regime.
O MPLA já canta vitória e o seu porta-voz, Rui Falcão afirma que a maioria absoluta é suficiente para o seu partido governar tranquilamente nos próximos cinco anos. A derrota em Luanda é justificada com a abstenção dos seus militantes.
“É basicamente a abstenção da nossa base militante, claro que é o que vamos estudar a seguir, temos que ter a serenidade e tranquilidade suficiente para que de forma equidistante analisar tudo quanto aconteceu e tirar conclusões”, frisou.
Em relação ao Zaire, onde a UNITA lidera igualmente na contagem provisória, o político do MPLA descartou qualquer quebra do seu partido, apontando as vantagens dos “camaradas” em províncias onde a UNITA tem forte apoio.
Em termos de deputados eleitos à Assembleia Nacional, o MPLA conseguiu 124, e a UNITA 90, enquanto a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), o Partido de Renovação Social (PRS) e o Partido Humanista de Angola (PHA) têm dois parlamentares cada.
A terceira força política desde 2012, CASA-CE, não conseguiu eleger qualquer deputado, bem como a APN e P-NJANGO.
A grande novidade é a entrada no Parlamento do PHA, a única força política liderada por uma mulher, a antiga jornalista Bela Malaquias, e o último partido legalizado no país, com dois deputados.
A FNLA também melhorou ao conseguir eleger dois parlamentares contra um em 2017 e o PRS manteve-se os mesmos dois da anterior legislatura.
As quintas eleições gerais em Angola perpetuaram a disputa entre os dois principais partidos do país, o MPLA, partido no poder, e a UNITA, oposição.
João Lourenço, actual Presidente da República, vai assim para um segundo mandato e o seu principal adversário, Adalberto Costa Júnior, terá de contentar-se em fazer a oposição. Pelos resultados alcançados, a UNITA poderá fazer toda diferença nas eleições autárquicas previstas para o próximo ano.
As eleições gerais realizadas a 24 de Agosto decorreram em todo o país e, pela primeira vez, no exterior.











