Marginais impõem regras de jogo no bairro 28 de Agosto No Kilamba Kiaxi, Polícia proibida de subir no morro
O Bairro 28 de Agosto, no município do Kilamba Kiaxi, tornou-se perigoso desde que famílias inteiras passaram a dedicar-se a assaltos, com os filhos com idades entre os 15 e 17 anos idades a serem executores e os dos 8 a 14 anos a ser informantes.
Por: Matias Miguel
O NA MIRA DO CRIME tem vindo a receber clamores de populares daquela circunscrição, de um tempo a esta parte e, nesta terça-feira, 14, uma equipa de reportagem deslocou-se ao terreno para apurar os quês e os porquês.
Com a colaboração de populares e da Comissão de Moradores, foi possível aferir que o também conhecido como bairro da lixeira não goza de boa saúde.
Mendes Rosário, residente no bairro há 10 anos, disse que para além da falta de saneamento que provoca um mau cheiro no bairro, por estar ligado à lixeira, a delinquência tomou conta da localidade. "A Polícia sabe disso, mas pouco tem feito", denunciou.
O centro da delinquência, segundo o morador, é o mercado dos Cajueiros, onde toda barbaridade acontece.
"As mamães vendedoras são obrigadas a abandonar o mercado às 18 horas sob pena de perderem os seus pertences", confirmou.
Outro morador disse que os marginais "tramancam" a qualquer hora do dia e, de noite, se refugiam no morro.
O morro em causa é a lixeira, onde se pode ver alguns casebres de chapa.
"Estes casebres que vêem aí, são esconderijos dos informantes que são os putos com idades compreendidas entre os 8 e 14 anos. Os pais e esses petizes actuam em sintonia perfeita”. Ou seja, quando alguém é assaltado, não pode perseguir os assaltantes. Se o fizer, contam, os pais, empunhando paus, ferros e catanas, saem em defesa dos filhos marginais.
"A própria Polícia não aceita subir no morro, porque sabe que os bandidos têm aí o seu quartel general montado", revelam, sublinhando que isso não é novidade. Aliás, acrescenta, ao lado do mercado há uma residência pintada com as cores da polícia, mas nunca foi utilizada.
Segundo os moradores, a Polícia só passa no bairro de dia, quando houver um caso que careça da sua intervenção.
Turma do Apito entra em acção
Sebastião Van- Dúnem revelou que para minimizar a onda de criminalidade, os moradores criaram a Turma do Apito à semelhança dos outros bairros, e isso tem resultado, dada a bravura da turma.
Referem que a partir das 20 horas já é melindroso andar sozinho. "Há duas semanas, os bandidos mataram um transeunte, na rua 7", disse, referindo que os crimes de violações são frequentes.
O que também preocupa os residentes são assaltos aos motoqueiros que, também, se organizaram para minimizar os prejuízos.
"Os bandidos só enfrentam quando andarem isolados, o que é raro", disse.
Os moradores pedem ao Comando Provincial da Polícia Nacional no sentido de colar uma esquadra policial no referido bairro.











