NOTA NEGATIVA: Chuvas testam ‘rijura’ de Manuel Homem em Luanda
As últimas enxurradas que se abateram sobre Luanda na noite de quinta-feira (12) prolongando-se pela madrugada e manhã de sexta-feira (13), como tem sido hábito, causaram danos muito sérios em diversos pontos da província. Inundações, desabamento de residências, famílias desalojadas, ruas intransitáveis, progressão de ravinas, entre outros estragos. Este “mais do mesmo” de todos anos é a Nota Negativa da semana!
Por: Na Mira do Crime
Por estas alturas, o já velho e desgastado refrão, “Luanda não está preparada para chuvas”, é repetido vezes sem conta, tanto por cidadãos incrédulos com os estragos, como por quem sempre tenta justificar a razão da manutenção de tais situações há décadas. “Mas então, quando é que Luanda vai estar preparada para receber chuvas?”, eis a questão que não se cala em meios da sociedade.
O Governo Provincial de Luanda ainda não fez qualquer pronunciamento sobre a real situação na capital e na província no seu todo. Contudo, diversas vozes se fizeram ouvir e reconhecem que a situação é deveras crítica.
A época chuvosa, geralmente começa em Setembro de cada ano, mais dia menos dia, e estende-se ao fim de Abril ou meados de Maio do ano seguinte.
Nesta época, que começou em 2022, houve algum “atraso”, porque em Luanda, os meses de Setembro, Outubro e boa parte de Novembro, foram calmos no que toca às quedas pluviométricas que só se fizeram sentir com o aproximar do final do ano passado e voltaram a cair intensamente neste princípio de 2023.
Em algumas áreas da província de Luanda, a chuva caiu brutalmente por várias horas consecutivas, causando todo tipo de transtornos aos moradores, com grandes inundações, destruição de habitações, queda de árvores, ruas intransitáveis, progressão de ravinas, etc.
Segundo o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, a situação é drástica, sobretudo em algumas zonas como no município de Viana, em que a própria vila–sede se transformou numa autêntica lagoa, o condomínio Vida Pacífica que ficou com parte das suas áreas térreas totalmente inundadas a pontos de os moradores nem poderem sair dos edifícios e as viaturas mergulhadas na água.
A estrada, que há muito deixou de ser, do cemitério da Sanzala, importante via de ligação entre a vila-sede e o Zango, mas sempre ignorada pelos diversos administradores que por ali passam e que atiram as responsabilidades para o GPL, ficou igualmente transformada num cenário horrível de lama, charcos, buracos e tudo mais, além de valas a transbordar águas putrefactas, em várias áreas do município, havendo ainda a lamentar a situação melindrosa dos moradores dos bairros da Caop A, B e C, com a progressão de ravinas a engolir residências e ruas, entre outras.
As ravinas estão também a causar estragos e a preocupar as populações em Icolo e Bengo e Cacuaco, segundo o Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, referindo também que os bairros do Sambizanga, Rangel, Terra Nova, Cazenga e Grafanil, são alguns dos mais afectados pelos danos da chuva.
Esta situação, que se repete em todos ciclos chuvosos, vai piorando a cada ano, tendo em conta que boa parte das obras, ditas de “reabilitação” e para “melhorar” as situações críticas, sobretudo em relação ao saneamento, escoamento de águas e o estado precário das estradas, geralmente começam e não terminam, muitas valas ficam a céu aberto e causam muitos dissabores em várias zonas; outras não produzem qualquer efeito positivo por falta de um estudo antecipado dos prós e contras, assim como das condições locais das áreas que sofrem as intervenções.
Dessa forma, sempre que se está em época de chuvas, os luandenses, principalmente os das periferias, perdem o sossego e rogam a Deus para que o pior não aconteça.
Geralmente, muitos cidadãos sofrem pesados danos materiais com a destruição dos seus bens e, alguns, perdem ente-queridos.
No tempo seco e enquanto as chuvas não desabam, quem de direito deveria aproveitar para melhorar alguns casos sobejamente conhecidos. Mas, nessas alturas, tudo se esquece, tudo fica nos diversos.
Quando as enxurradas voltam a fazer das suas, recomeça o “lenga-lenga”, as justificações infundadas, o mesmo de sempre, não faltando o velho chavão de que “Luanda não está preparada para as chuvas”.
É assim que, todos os anos, o cenário se repete e as coisas se vão agravando, cada vez um pouco mais, ante o olhar sereno das administrações locais que nada fazem, embora as verbas alocadas “desapareçam” como que misteriosamente.
A melhoria das ruas, o saneamento e limpeza de Luanda e suas periferias continuam a espera de “milagres”, porque infelizmente as edilidades nada fazem em benefício da população, justificando que o problema não é deles e sim do Governo provincial ou central. Afinal para que é que servem e o que é feito das verbas que lhes são atribuidas todos anos?
Os cidadãos exigem que as administrações façam o seu trabalho, que zelem pelo saneamento dos bairros, que terraplanem e tapem os buracos nas ruas e abram as antigas passagens de água que foram propositadamente fechadas por algumas obras.
“As obras que fazem, deviam ser para melhorar, mas o que se tem notado é que fazem-se obras para melhorar a vida de algumas pessoas e interesses pessoais, em detrimento da população e dos bairros”, reclamam os citadinos.
A este propósito chama-se a atenção do actual governador provincial, Manuel Homem, para que não seja apenas mais um a passar pelo palácio da Mutamba e aumentar a estatística que já é bastante longa. É sabido que Luanda é um manancial de interesses das elites no poder e de certa forma são muitas as interferências “superiores” na forma de administrar a capital.
Porém, sendo Luanda a capital de Angola, um país potencialmente rico, com crise ou sem crise, não há desculpas para o desleixo existente, para a falta de iniciativas e de visão estratégica do Governo provincial e das Administrações municipais, distritais e outras.
Que o senhor governador não venha promover apenas farras e outras ninharias, diante dos reais problemas que tem Luanda e que há muito se pede para serem resolvidos. Arregace as mangas e trabalhe de facto em prol de melhorias que devolvam a sua velha mística de “Pérola do Atlântico” e tragam sossego e bem-estar aos seus moradores.
Assim sendo, os luandenses, e os angolanos em geral, vão agradecer e a história vai registar positivamente!
Os serviços de meteorologia alertam que as chuvas torrenciais vão continuar em Luanda, pelo que todo cuidado é pouco!











