“Magia da meia” – O truque que faz vítimas que compram telefones levar um pedaço de madeira
A venda de telemóveis nas vias públicas e em alguns mercados de Luanda tem deixado muitas pessoas aos prantos por caírem em burlas previamente preparadas pelos ditos vendedores.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os factos demonstram que muitos vendedores de telemóveis são meramente burladores, que actuam de forma ardilosa e bem treinada.
A forma de actuação não difere muito nas várias áreas em que efectuam as suas falcatruas. Normalmente, os indivíduos aparecem de surpresa simulando a venda de um telemóvel, aparentemente novo e de boa marca, após uma conversa intencional, a vítima acaba comprando o suposto telemóvel, não se apercebendo de que se trata de um artigo sem valor.
Uns acabam comprando um aparelho avariado ou, até mesmo, um pedaço de madeira.
Um truque que foi apelidado como “telefone na meia” ou “magia da meia”. A técnica usada é bastante inteligente e rápida.
O burlador finge estar a vender um telemóvel novo, em perfeitas condições e a preço muito baixo. Atraída pelo negócio a vítima acaba por cair no logro.
Emílio, morador do bairro da Cimangola, falando em exclusivo ao Na Mira do Crime disse que, quando passou pela situação, pensou que fosse uma acção mágica, ao ser persuadido a comprar um telemóvel de marca iPhone ao preço de 50 mil Kwanzas, na praça do Kicolo.
Só mais tarde se apercebeu que se tratava de um pedaço de madeira. "Eles me chamaram e disseram que estavam a vender o telefone, vi a marca e o preço era atractivo, ainda peguei e entrei nas definições; pressionaram-me a fazer tudo rápido para não atrair os olhares das pessoas, então paguei, colocaram o telefone numa meia e me disseram para sair do local porque havia bandidos a observar a conversa", contou.
Após ter caminhado por alguns minutos, a curiosidade fez com que o lesado tirasse o artigo para ver melhor e a surpresa foi contundente.
"Andei um pouco e tirei o telefone das meias, afinal era um pedaço de madeira com visor improvisado em volta de fita plástica, perdi o fôlego e comecei a correr à toa a procura dos bandidos, mas já haviam sumido, acho que usaram bruxaria", proferiu.
As vítimas denunciam que os burladores não só simulam a venda de telemóveis, também de electrodomésticos, tal como ferro de engomar e TV plasma.
Catarina, estudante de enfermagem, contou que a sua mãe já foi vítima de burla ao ter comprado uma porção de madeira em lugar de uma TV plasma de 45 polegadas.
"A minha mãe foi ao mercado do Kicolo e deparou-se com alguns jovens a vender uma TV plasma, no interior de uma caixa para plasmas, os jovens disseram a ela que estavam a despachar por 30 mil, foram ainda experimentar num local do mercado e tudo estava em ordem; subtilmente entregaram uma outra caixa com madeira no interior e só descobriu quando chegou em casa, chorou quase o dia todo", disse.
O mercado do Kicolo não é, por acaso, o único local em que os burladores actuam; outras zonas de Luanda também são visadas, como é o caso da vila de Viana.
Lucas disse que foi vítima por duas vezes. O nosso interlocutor admitiu ter partido para a agressão na última vez que se deparou com os burladores, bem apresentados e sem se parecer com bandidos.
No entanto, não sabiam que o jovem já havia caído na mesma "armadilha" um mês antes e, por coincidência, no mesmo local.
"Eu estava fora da Casa da Juventude de Viana, quando apareceu um jovem a tentar vender-me um telefone, alegando que teria que ser um negócio rápido e o preço era razoável, então, lembrei-me de já ter caído no jogo, sem mais nem menos, dei um golpe de punho na cara dele e gritei por socorro, ele fugiu e deixou cair o suposto telefone, afinal era placa simples com visor", riu.
Muitos cidadãos que têm acompanhado casos do género e vivido a mesma experiência, principalmente no mercado do Kicolo, afirmam que os bandidos quando são apanhados são levados à esquadra do Kicolo, mas momentos depois são soltos.
"Muitos deles são apanhados e os ‘caenches’ levam na esquadra do Kicolo, mas não passa muito tempo e o que foi detido já está de novo no mercado, parece que têm a protecção de alguem", desconfiam.











