Nota Negativa: Nacionalistas nascem em Angola e morrem na diáspora: Angola cemitério dos dirigentes
Angola parece ser apenas o cemitério dos dirigentes angolanos, com maior realce aos do MPLA, que na maioria dos casos, têm dupla nacionalidade, os filhos nascem na diáspora (Portugal), preferem sempre tratamento médico e educação fora do País, onde têm as contas bancárias recheadas e quando morrem, Angola recebe-os de mãos abertas.
Por: Telson Mateus
A morte do antigo primeiro-ministro de Angola, Fernando de França Van-Dúnen, na manhã desta quarta-feira, 12 de Junho, em Lisboa, Portugal, voltou a destapar a careca do nosso sistema de saúde.
Recordar que, em 2022, o segundo presidente da República de Angola, depois de mais de 35 anos no poder, preferiu morrer em Espanha, depois de uma boa temporada ‘exilado’ na Europa.
Porém, são várias figura de proa do MPLA, partido que governa Angola há quase 49 anos, que morrem vítimas de doença na diáspora e, ao que tudo indica, não será a última porque ficou provado e é evidente que a classe governante não confia no sistema de saúde que coloca à disposição para os angolanos, a quem considera de “povo em geral”.
Só para se ter uma ideia, situação que contrasta com os avultados investimentos que estão a ser feitos, no mandato do Presidente João Lourenço a nível da saúde, mais de cinco nacionalistas angolanos, todos eles figuras de proa do MPLA e membros do Bureau Político do ‘Kremlin’, faleceram fora do País, vítimas de doença.
Outro contraste que deixa boquiaberto qualquer um que olha para as imponentes obras hospitalares, maior parte delas adjudicadas de forma directa à Omatapalo, é o facto de muitos governantes angolanos que propalam que se tem feito grandes investimentos nesse sector vital angolano, preferir recorrer aos serviços médicos no exterior quando sente uma ‘pequena’ dor de cabeça.
Por este facto, muitos cidadãos ouvidos pelo NA MIRA DO CRIME, questionam a qualidade dos serviços prestados nestes hospitais.
“Temos conhecimento que a Primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço e até a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta recorreram a serviços médicos no exterior. Qual é o motivo disso se Angola está a gastar muitos recursos para requalificar, reabilitar e construir grandes unidades sanitárias”, questionou Patrícia da Silva.
Esta cidadã atenta aos problemas do país, questionou, igualmente, quais os motivos que levam os filhos dos dirigentes desse país, a recorrerem aos serviços médicos fora de Angola até para ter um bebé e aponta exemplos concretos.
“Sabemos que uma filha do Presidente e até a administradora do Kilamba Kiaxi, Naulila Diogo foram ter os seus bebés fora de Angola. Será que foram apenas para adquirir a nacionalidade estrangeira ou por causa dos deficitários sistemas de saúde?”, pergunta.
Figuras falecidas na diáspora
Se os angolanos todos pudessem recorrer aos serviços de saúde no exterior, cidadãos ouvidos por este jornal garantem que a República Democrática do Congo (RDC) e Namíbia seriam os destinos de muitos deles, ao contrário dos dirigentes endinheirados que preferem, África do Sul, Portugal, Brasil ou Espanha, onde além de José Eduardo dos Santos, a actual família presidencial também prefere ser consultada por um ‘bom’ médico que, verdade seja dita, não sai barato aos cofres do Estado angolano.
Embora Fernando José de França Dias Van-Dúnem, que nasceu em Luanda em 1934, foi primeiro-ministro por duas ocasiões, presidente da Assembleia Nacional, vice-presidente da União Africana e membro do Parlamento Pan-Africano seja a mais recente vítima do falhado sistema de saúde nacional e que preferiu recorrer a serviços médicos no exterior, a lista é longa, sendo que, o NA MIRA DO CRIME, vai trazer apenas alguns nomes de nacionalistas que não encontraram em Angola, serviços de saúde de qualidade e foram tratar da saúde longe dos nossos médicos e enfermeiros que há anos reclamam por melhores condições laborais e salariais, mas infelizmente, acabaram por morrer em “terras alheias” e dar mais gastos aos angolanos para a sua transladação para o solo que os viu nascer.
Nacionalista Henrique de Carvalho dos Santos “Onâmbwe”
O nacionalista Henrique de Carvalho dos Santos “Onâmbwe” faleceu a 15 de Outubro de 2023, em Portugal, aos 83 anos de idade, vítima de doença.
Filho do Porto Amboim, Kuanza-Sul, onde nasceu a 5 de Maio de 1940, era casado e pai de seis filhos.
Ao que tudo indica, nem o passado militar distinto, na luta pela Independência Nacional, depois de ter subscrito, em 1974, a proclamação das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), ano em que participou na preparação da Conferência Inter-Regional, realizada no Lundonge, na Frente Leste, onde foi eleito membro do Comité Central do MPLA e mais tarde nomeado secretário do Comité Central para a Informação (DOR), lhe dava confiança para recorrer aos serviços médicos angolanos.
No final de tudo, o MPLA, partido no poder, e os seus dirigentes, lamentam, sempre a das insignes figuras, melhores filhos desta pátria que ao invés de morrerem em solo pátrio como o “povo em geral”, prefere morrer lá onde não sai nenhum branco – xenofobia à parte – para se tratar em Angola.
Rui Mingas, co-autor do hino de Angola e ex-embaixador em Portugal
O antigo desportista e político angolano morreu, a 04 de Janeiro de 2024, em Lisboa aos 84 anos.
Rui Mingas é bastante conhecido em Angola por ter sido um dos co-autores do hino nacional de Angola, com o escritor Manuel Rui Monteiro.
Rui Alberto Vieira Dias Rodrigues Mingas, que nasceu em 12 de Maio de 1939, militante activo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, partido no poder desde a independência do país, em 1975), desempenhou os cargos de deputado, ministro dos Desportos e embaixador de Angola em Portugal, onde veio a falecer.
Nacionalista e diplomata Hermínio Escórcio
O nacionalista e diplomata Hermínio Escórcio morreu na madrugada de 29 de Setembro de 2023, uma sexta-feira, na África do Sul, aos 88 anos, vítima de doença.
Hermínio Joaquim Escórcio, que foi preso político da antiga Polícia Política Portuguesa (PIDE) na época colonial, nasceu em Benguela em 01 de Junho de 1936.
Foi embaixador de Angola na Argentina e director do protocolo e património da Presidência da República de Angola.
O conhecido nacionalista fez ainda parte da delegação do MPLA que negociou tréguas com os portugueses nas chanas de Liamege, província do Moxico.
Nacionalista Manuel Pedro Pacavira
O escritor, nacionalista e político Manuel Pedro Pacavira, deputado à Assembleia Nacional e Membro do Bureau Político do Comité do MPLA, morreu a 12 de Setembro de 2016, em Lisboa, vítima de doença. Tinha 76 anos.
Nascido no Golungo-Alto, província do Kwanza-Norte a 14 de Outubro de 1939, era licenciado em Ciências Sociais pela Universidade de Havana, Cuba, foi ministro da Agricultura e dos Transportes e representante de Angola na ONU, além de governador da sua terra natal.
Destacado membro do MPLA, partido onde ingressou logo no ano da fundação, em 1956, Manuel Pacavira foi também embaixador de Angola em Cuba e em Itália.











