Nota Negativa: Quase 5 décadas: MININT avança com alguns órgãos a precisarem de limpeza drástica
O Ministério do Interior (MININT), liderado actualmente pelo general Eugénio César Laborinho, completa hoje, 22 de Junho, 45 anos de existência, o que para nós, é motivo de orgulho e satisfação, e o Na Mira do Crime aproveita para parabenizar este importante segmento da vida de todos os angolanos.
Por: Telson Mateus
Se por um lado, este importante departamento ministerial, que comporta os órgãos de defesa e segurança, completa quase cinco décadas de existência e tem dado mostras claras de avanço nalgumas áreas, noutras há claramente um recuo que contrasta com os investimentos feitos nesse sector que, grosso modo, mexe com a vida dos cidadãos.
Nota-se claramente que o Serviço de Migração e Estrangeiro (SME) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) têm sido os mais beneficiados no aumento de condições laborais.
São os que têm os melhores salários e regalias. Contudo, é também nesses órgãos onde a actuação de alguns efectivos tem manchado de forma grave a imagem da Polícia Nacional e, por arrasto, do Ministério do Interior, cujo líder se lhe reconhece algum sentimento humanista com os seus subordinados.
Neste dois ramos do MININT, é ainda reconhecida a capacidade de liderança de cada um dos titulares das referidas instituições, pesa embora, e diga-se para bem da verdade, a entrada de sangue novo nestas organizações, muitas vezes não é acautelada com a formação e o sentido de patriotismo que e exigida por força das actividades realizadas.
Nos últimos tempos, tanto na polícia, no SIC, SME, Bombeiros ou Serviços Penitenciários, entraram mais ‘bandidos’ do que cidadãos convictos e comprometidos com a Angola.
O mais recente acto de assassinato de cidadãos em hasta pública por parte de um efectivo do SIC, embora não em serviço, convenhamos, leva a que a sociedade vê em cada agente do SIC um 'potencial assassino'.
Agentes da polícia há que, matam chefes de família por coisas que a vida não compra - e lamentavelmente, de outros pacatos cidadãos por coisas mesquinhas como uma cerveja ou por questões passionais.
Outro órgão do MININT que aqui é chamado na forma negativa, é o Departamento de Investigação d Ilícitos Penais (DIIP), que boa parte das vezes ou actuação, parece não saber do seu real papel.
Em pouco tempo de existência, o DIIP, sem tirar mérito aos bons efectivos, aparece, semana sim, semana não, envolvido em casos de corrupção e boa parte das vezes desconhecemos se de facto a chefia presta atenção nas denúncias, ou prefere assobiar para o lado.
Um caso em concreto, é a retenção (detenção) de cinco efectivos do DIIP-Belas, que sem autorização para realização de uma operação fora do seu espaço de jurisdição, apareceram, armados, na província do Zaire em busca de “não sei o que”.
Este caso, não é o primeiro e nem o segundo, e já foi denunciado neste jornal, e pelo que se saiba, tudo ficou entre as paredes do Comando da instituição.
Outra 'mancha negra' que faz dos 45 anos do MININT uma data para reflexão, é o facto de altas patentes dos seus órgãos executivos serem acusados pelo cometimento de crimes, mas que os órgãos da administração da justiça, como a Procuradoria da República (PGR) e a Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) não levar a cabo uma investigação profunda sobre as referidas acusações enquanto órgãos independentes.
Já no SME, as acusações de venda indiscriminada de passaporte extraordinários a cidadãos estrangeiros e a implantação de um sistema burocrático para que os cidadãos recorreram à esquemas fraudulentos para a aquisição de passaportes é outra situação que não abona o bom nome desta instituição que, em função da sua especificidade, os seus canais de inspecção devem trabalhar efectivamente para expurgar do seio deste órgão os autores desta prática lesiva não só ao bom nome do MININT, mas também do próprio Estado.
Embora não se aferiu a veracidade dos factos, recentemente, surgiram informações nas redes sociais, segundo as quais, altos funcionários do SME estariam envolvidos nessa prática que em nada dignifica não só a Polícia Nacional de Angola e o Ministério do Interior, mas também deita por terra, todos os esforços levados a cabo pelo Presidente da República, João Lourenço, incansável na busca de parcerias fortes no exterior para o investimento privado em Angola.
Neste sentido, actuações à margem da lei, em ramos vitais da segurança do País, afugentam qualquer investidor sério em Angola, sendo certo que, poderão apenas entrar no País, aqueles empresários charlatães como foi o caso daqueles ligados a burla tailandesa.
Entretanto, nestes 45 anos do MININT, pede-se uma forte aposta na Polícia Nacional, aquela que lida directamente com os cidadãos no dia-a-dia, franja que, verdade seja dita, parece ser o parente mais pobre deste órgão ministerial.
E não precisamos dar muitas voltas à cabeça para aferir isso mesmo: as nossas esquadras policiais nunca têm carros para se fazer um patrulhamento condigno nos bairros.
As motorizadas atribuídas são kupapatas que em nada dignificam aqueles que lidam com criminosos em carros ou motorizadas de maior cilindrada enquanto os "manda-chuva" andam em carros top de gama cujo preço poderia se comprar uns 10 carros para cada esquadra.
Nota-se, igualmente a forma como os agentes andam nas ruas, alguns com as fardas gastas e com o semblante cabisbaixo, em função do patenteamento ser apenas para os filhos dos fulanos e sicranos, ou familiares destes e daqueles, deixando evidente a existência de filhos e enteados na corporação.
É importante que o Ministério do Interior tenha em atenção essas situações no sentido de nos 50 anos da corporação, possamos não apenas apresentar uma nota negativa, mas também factos bastantes positivos em que os efectivos de modo particular e a sociedade de modo geral, se possam orgulhar.











