Nota negativa: Sem ‘genica’ para reparar estradas, semáforos e urinóis, Homem promete transporte aéreo (teleférico) para os luandenses
Está mais do que provado que as prioridades do MPLA para o povo angolano são o combate a fome e a pobreza. Porém, essas duas prioridades ‘simples’ de combater, tem dado ao partido que governa Angola desde 1975, mais trabalho do que era esperado em função da inversão do que é de facto prioritário para o “povo especial”.
Por: Telson Mateus
O povo angolano, principalmente de Luanda, foi brindado na semana passada com uma ‘boa nova’ que vai dar uma volta de 360º na mobilidade urbana da cidade capital: a entrada em cena do Teleférico Urbano de Luanda.
Esse achado do governador Manuel Homem, que pretende ligar o Bungo ao Largo das Escolas e desembocar no Catambor, por via área, parece ter sido a maneira encontrada pelo secretário provincial do MPLA em Luanda para driblar o travão que os seus camaradas estão a fazer na implementação do metro de superfície que seria construído em Luanda pela construtora alemã Siemens, cuja assinatura do Memorando de Entendimento com o Ministério dos Transportes foi assinado em Fevereiro de 2021.
Para a maior parte dos angolanos, tanto os do MPLA como os da oposição, está provado que o partido governante com João Lourenço à testa perdeu o norte das prioridades do País e, volta e meia, atira algum barro à parede para ver se cola.
Em Luanda, onde o MPLA perdeu as eleições para a UNITA, os cidadãos dizem que a prioridade não é, nunca foi e jamais será a construção de um teleférico para ver a cidade com becos e casas de chapas nas alturas.
“Precisamos de água potável e energia eléctrica”, disse Neusa André, questionada sobre a construção do teleférico urbano de Luanda.
Quem alinha no mesmo diapasão e inclui na lista das prioridades a iluminação pública e a requalificação das estradas terciárias, incluindo aquelas em que existem os comités da UNITA é Paulino Zamba, morador de Viana e que trabalha na zona do Kikuxi.
“Não se percebe como é que o MPLA que deveria combater a pobreza do povo está a levar o povo ao abismo. Queremos além da água estradas boas para facilitar a circulação rodoviária. Temos muitos problemas de energia eléctrica e ainda querem nos inventar mais um brinquedo para os ricos do País andarem com os seus filhos”, notou.
Ana da Silva, por sua vez, garantiu que esta não é a primeira, segunda, terceira, nem será a última vez que os angolanos vão notar que os governantes do MPLA só querem facturar em nome de uma suposta governação para o povo.
“A prioridades deles (MPLA) é fazer mixa para os seus bolsos. Notamos isso não só na adjudicação directa das obras para a OMATAPALO, a venda de um banco que custou mais barato que um viaduto para o grupo carrinho e ainda a construção de grandes hospitais, mas que ao fim de tudo, não tem médicos nem medicamentos para o povo. Eles preferem se tratar fora do País e os tais hospitais depois de serem construídos e reabilitados são transformados em clínicas privadas”.
Uma Luanda escura e malcheirosa
A cidade de Luanda precisa de facto de uma governação mais próxima dos cidadãos, que passa, sobretudo, por uma humanização dos serviços e governantes comprometidos com a causa do povo.
Se por um lado é unânime para os cidadãos que não é a altura para a implementação de um teleférico, como do metro de superfície, daí o projecto não ter saído do papel, por outro é visível que a cidade capital tem outros problemas que podem ser resolvidos com menos dinheiro que esses projectos megalómanos, que no princípio são desenhados para não sair dinheiro dos cofres do Estado, mas que no fim das contas são os angolanos que acabam por pagar a factura pesada.
“Temos que iluminar a cidade de Luanda, reparar as estradas como aquela que sai de Viana ao Zango, passando pelo cemitério municipal de Viana, e retirar esses urinóis da cidade que foram transformados em esconderijo de marginais depois de terem custado tanto dinheiro dos cofres do Estado, mas que nunca chegaram a ser usados”, explica Hernany Salembe.
Para este cidadão, há bairros em Luanda onde desde a independência de Angola até aos dias de hoje, os munícipes nunca viram sequer uma gota de água potável nas suas torneiras.
“Como é que podemos pensar em teleférico se o que é básico, como água potável para os munícipes do Golfe 2, terraplenagem das ruas do bairro 6 Cajueiros e Hoji-ya-Henda é ainda uma miragem? Parece que esses governantes estão na lua e querem implementar aquilo que viram nos filmes ou nas cidades desenvolvidas onde passam maior parte do tempo em viagens”, referiu.
MPLA esquece compromissos do manifesto eleitoral e programa de governo
Os governantes angolanos (todos do MPLA), seguem o Programa de Governo 2022-2027 e o Manifesto Eleitoral aprovado antes das últimas eleições gerais que deram vitória aos camaradas, não obstante ter perdido pela primeira vez, as províncias de Luanda, Cabinda e Zaire.
No seu programa de governo o MPLA destaca a consolidação da paz e da democracia, a reforma do Estado e a boa governação. É reiterado, igualmente, o desenvolvimento harmonioso do território, a promoção do capital humano, com realce para a educação, saúde, emprego, cultura e desporto, bem como a redução das desigualdades sociais, combate à fome e à pobreza, igualdade do género.
Em linhas gerais, os cidadãos angolanos notam que o MPLA não tem seguido esse Programa de Governo estruturado em sete Eixos Estratégicos, pelo facto da vida dos angolanos continuar cada vez mais difícil.
O teleférico é um meio de transporte aéreo que consiste em cabines suspensas por cabos de aço, que se movem de um ponto a outro. É uma forma popular de transporte em áreas montanhosas, proporcionando aos passageiros uma vista panorâmica deslumbrante durante o percurso.











