Nota Negativa: Assembleia Nacional esconde ‘gatunos’ e ‘bandidos’ de colarinho branco
A Assembleia Nacional foi acusada, na semana passada, de esconder gatunos’ de colarinho branco. A acusação deve merecer a atenção dos órgãos policiais, judiciais e de investigação dos Serviços de Inteligência em função do denunciante ser, nada mais, nada menos, que o Presidente da República, João Lourenço.
Por: Telson Mateus
Tendo em atenção de que o Presidente da República é uma entidade idónea e com informações privilegiadas, já que todos os órgãos e organismos do Estado enviam dossier, muitos deles confidenciais ao seu gabinete, é mister admitir que a acusação que o Chefe de Estado fez, na Assembleia Nacional, durante o retrato sobre o Estado da Nação, é verídica e séria, facto que deve merecer a atenção dos órgãos afins no sentido de despoletarem os competentes expedientes investigativos e se imputar responsabilidades aos infractores.
Durante a abertura do ano parlamentar, João Lourenço, sem ‘papas na língua’ acusou políticos e parlamentares de estarem envolvidos em crimes de vandalismo que provocam "danos avultados" à economia.
A acusação, tal como já o dissemos, veio com o pedido de que esses ‘gatunos’ e ‘bandidos’ de colarinho branco, devem ser "exemplarmente punidos".
João Lourenço, que acabou por ficar ‘enfurecido’ devido ao comportamento anti-ético dos deputados da UNITA, maior partido na oposição, que pediam a sua demissão por meio de cartazes e um barulho ensurdecedor, cujas imagens não foram tidas nem achadas pela mídia pública, deixou mesmo um sério aviso à navegação.
O Chefe de Estado lembrou-os que, como Presidente deste País, vai prestar uma especial atenção aos crimes de contrabando de combustível, de exploração ilegal de recursos minerais e de vandalização dos bens públicos que provocam danos avultados à economia angolana e prejudicam os cidadãos.
"O aumento do contrabando de combustíveis, o dano ambiental resultante da exploração ilegal de minerais estratégicos e de madeira", bem como o reinvestimento público necessário nos domínios da energia, águas, transportes e telecomunicações devido à vandalização de bens públicos, obriga a unir esforços numa "cruzada nacional contra estes tipos de crime".
Se por um lado, os deputados e políticos que estão investidos na Assembleia Nacional e que gozam, por isso, de imunidade, são os "autores” destes crimes, sem apontar nomes ou cor partidária, João Lourenço exigiu que estes sejam devidamente responsabilizados.
Caso não sejam, então, cada um enquanto cidadão deste País, poderá tirar a sua ilação, com a certeza que esses políticos e parlamentares, ‘gatunos’ e ‘bandidos’ de colarinho branco escondidos na nossa ‘casa das leis, podem ser instigadores e fomentadores dos crimes enunciados pelo Presidente da República.
Colocando-nos na posição do Chefe de Estado, não temos dúvidas, nem podemos pedir outra coisa aos órgãos policiais e judiciais senão que esses indivíduos, que perderam a oportunidade de ser chamados de cidadãos, “devem ser exemplarmente punidos", tal como sublinhou o Presidente, sustentando que há políticos envolvidos nestes crimes.
"Lamentavelmente, alguns deles são políticos e parlamentares, que têm a obrigação de defender a lei e o bem público, comportamento que deve ser condenado pela nossa sociedade", disse João Lourenço, suscitando agitação nas bancadas parlamentares.
Quem vai provar os crimes e seus autores?
Uma semana após da acusação do Presidente João Lourenço, a sociedade angolana ainda não viu qualquer órgão policial ou judicial, entre eles a Procuradoria da República (PGR), a dar um passo em frente no sentido de apurar as acusações do Chefe de Estado e deixar os angolanos convictos de que na Assembleia Nacional estão apenas pessoas de bem e que servem o País.
Por outro lado, caso estejam lá também os camaradas ‘batatas podres’, estes devem ser expurgadas do meio dos bons parlamentares e políticos com vista a pagarem pelos crimes que lesam a economia e os angolanos, cujos resultados são nefastos para a maioria das famílias angolanas que vivem abaixo da linha da pobreza, não obstante os esforços que têm sido empreendidos pelo Executivo que, verdade seja dita, aposta mais no betão e em projectos megalómanos e que em nada impactam na vida directa do povo.
E quando dissemos vida directa estamos a dizer, sobretudo, nos produtos da cesta básica que sobe dia após dia, apresentando um vácuo bastante grande e um fosso considerável sobre o discurso que é proferido pelos governantes e pela realidade que se vê todos os dias nas ruas de Luanda que é uma ‘irmã siamês’ do que acontece noutras paragens de Angola.
UNITA quer provas e PRS rejeita acusações
Se por um lado o maior partido na oposição pediu provas ao Chefe de Estado e o PRS, atirou a água do seu capote, outras forças políticas na Assembleia Nacional, todos os parlamentares e políticos juntos admitiram estar mancomunados com a criminalidade e vandalização de que o Presidente fez menção, já que não disseram nada para se ilibarem dos crimes de que foram acusados.
Neste sentido, não precisamos de ser um ‘José Sayovo’, para vermos que os políticos e parlamentares que entraram mudos e saíram calados da Assembleia Nacional, depois dessas acusações têm, de facto, alguma culpa no cartório.
Todavia, depois desta ‘cartada de mestre’ e ‘balde de água fria’ que João Lourenço atirou aos políticos e parlamentares em frente da comunidade internacional presente naquela magna sessão da ‘casa das leis’, os angolanos esperam resultados satisfatórios dos órgãos judiciais e policiais.











