Famílias morrem de fome diante da indiferença do Governo Provincial da Huíla - Diz secretário da UNITA
O secretário provincial da UNITA na Huíla, Augusto Samuel, afirmou, nesta quarta-feira, 11, que muitas famílias na região sul do país continuam a perder as suas vidas devido à fome extrema, sem qualquer intervenção dos governos locais.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
“Muitas famílias morrem de fome sob o olhar do Governo Provincial da Huíla, que se mantém indiferente à situação da população”, afirma.
Augusto Samuel, que não revelou o número exacto de vítimas causadas pela fome, diz que é imperativo que o governo local aloque recursos financeiros para apoiar as famílias mais vulneráveis na Huíla.
O político destacou que o sofrimento atinge grande parte da população, incluindo desempregados e trabalhadores do sector público e privado.
“Se até os empregados destas áreas lamentam a difícil situação que o país atravessa, o que dizer dos desempregados?”, questionou.
Samuel manifestou a sua indignação ao percorrer os municípios da província, onde constatou condições de vida extremamente precárias, e enfatizou a necessidade urgente de intervenção governamental em áreas como habitação, alimentação, saúde e educação.
“O povo soberano clama por apoio do governo devido ao aumento exorbitante dos preços da cesta básica nos mercados informais, isso impede a população de consumir produtos essenciais que antes eram acessíveis, como o arroz, que anteriormente 25 quilogramas custavam 2.500 kwanzas e agora custa cerca de 30 mil kwanzas”, afirmou.
Acrescentou que, na cidade do Lubango, é doloroso ver famílias recorrendo constantemente a tambores de lixo para conseguir restos de comida.
Classificou a situação como alarmante para qualquer pessoa que testemunhe tal cena.
Denunciou, igualmente, a má qualidade da água consumida por muitos moradores de diversos bairros do Lubango.
“A água chega às casas com uma coloração semelhante à do leite, reflectindo o desinteresse do Governo Provincial da Huíla em fornecer um recurso essencial e de qualidade às famílias”, acusou.
O responsável, mostrou-se céptico quanto à possibilidade de as famílias celebrarem a quadra festiva em ambiente de alegria, “diante de uma situação tão lastimável, tendo defendido mudanças urgentes, destacando que a população precisa de uma redução nos preços da cesta básica e de uma valorização da moeda nacional, que perdeu o poder de compra”.
Nuno reconhece que há muito por se fazer
Já o primeiro secretário do MPLA na Huíla, Nuno Mahapi Dala, ao falar na sexta-feira, 06, durante a abertura da VI Plenária Ordinária do partido, reconheceu que há muito por fazer, especialmente no combate às desigualdades, na criação de oportunidades para os jovens e na melhoria das condições de vida das comunidades rurais.
Sem detalhar nem esclarecer como será enfrentada a situação difícil vivida pelos habitantes da Huíla, incluindo a fome, a falta de água e as famílias que sobrevivem do lixo, o primeiro secretário provincial do MPLA e também governador, afirmou apenas: A nossa missão é clara, servir o povo, promover o progresso e manter vivo o legado do MPLA como força motriz do desenvolvimento do nosso país.











