Militares cegos não desistem – Depois de servirem o país sobrevivem como podem
Viver com deficiência visual, por si só, já é um grande desafio. Agora, nessa condição, imaginem viver sem apoios e exposto a todos os riscos para sobreviverem! Na manhã desta quarta-feira, 18, a equipa de reportagem deste jornal, à margem das jornadas nas comunidades do Grupo parlamentar da UNITA (GPU), esteve cara-a-cara com vários deficientes visuais, na sua maioria, ex-militares, que contaram as vicissitudes por que passam, dia após dia.
Por: Lito Dias
Os deputados do maior partido na oposição desenvolveram a partir das 09 horas, desta quarta-feira, 18 de Dezembro, acções de solidariedade nos 9 municípios de Luanda, bem como visitas aos principais mercados para contacto com o cidadão.
As delegações compostas por deputados e outros dirigentes, desdobraram-se com o objectivo de prestar apoio em bens de primeira necessidade e outros para grupos vulneráveis.
Um dos grupos vulneráveis que foi alvo da acção solidária é dos deficientes visuais, localizados no condomínio dos cegos, no bairro Cop A, município de Viana onde doaram bens de primeira necessidade.
Ai, os deputados falaram pouco, mas os deficientes explicaram quase tudo que vai na alma, com um saco de reclamações a rebentar pelas costuras.
Dentre eles, está Ângelo Marcos Londaka, o primeiro atleta angolano adptado, recrutado do Hospital Militar, no início da modalidade, em 1993.
O velocista apresentou todas as preocupações desde as pensões de reformas, de 57 mil Kwanzas, que, para ele, não permitem sobreviver, às barreiras que os filhos de deficientes enfrentam para estudar.
“Quando estiverem a discutir o Orçamento Geral do Estado tenham sempre em mente Angola verdadeira”, recomendou aos deputados que têm a missão de legislar sobre o que satisfaz a vontade do povo.
Londaka disse que, várias vezes, têm sido questionados pelos filhos se, na verdade, quando lutaram esperavam ter este país, completamente indiferente para com os seus filhos.
Em nome dos outros deficientes, criticou o facto de a classe política angolana não se preocupar com os deficientes, principalmente visuais, cujos filhos se sacrificam muito para conseguir uma vaga no ensino médio.
“E se conseguirem terminar o ensino médio, não conseguem entrar na universidade, mesmo que tenha vontade de dar sequência aos estudos”, referiu. Revelou que os filhos terminam o ensino médio, mas por não terem condições de continuar os estudos inclinam-se na bebida e drogas, apesar de terem sonhos de, um dia, também serem dirigentes.
“Deste modo, só os filhos deles é que estarão no aparelho do Estado e os nossos na desgraça e na delinquência”, concluiu.
“Nós que lutamos devíamos viver bem, a exemplo de outros países, como a Namíbia onde os deficientes são bem tratados”, comparou, sublinhando que os deficientes namibianos que “nós ajudamos a conquistar a sua independência vivem melhor que nós”.
Ângelo Londaka, olha para trás com nostalgia, com o sentimento de ter contribuído para a paz em Angola. “Participei na campanha de luta contra as minas, lado-a-lado com a princesa Diana e fui recebido pelo Presidente Norte-Americano, Bill Clinton.











