Nota negativa: Governo Provincial de Luanda deve ser responsabilizado pela morte de cidadãos no Paraíso
A morte de cidadãos angolanos no bairro Paraíso, em Luanda, vítimas da cólera, deveria merecer a atenção das autoridades judiciais do País, pelo simples facto de terem sido vítimas de negligência e falta de vontade política de governantes insensíveis com o clamor do povo.
Por: Telson Mateus
O bairro do Paraíso, no município de Cacuaco, é o epicentro da cólera, uma doença endémica que assola mais os países pobres e da qual Angola já tinha-se livrado.
A falta de saneamento básico é condições sociais básicas constituem o principal motivo para o surgimento da doença que nas últimas 24 horas, fez mais 86 casos confirmados e mais de 27 mortes confirmadas.
Até ao momento, estão 50 pessoas internadas. Se por um lado, as autoridades estão a pedir aos cidadãos que cumpram as orientações básicas de higiene como lavar as mãos e tratar a água, por outro lado, as próprias autoridades estão a esquecer a sua principal missão: colocar à disposição da população água potável, saneamento básico e as condições mínimas de habitabilidade num bairro onde as pessoas vivem na indigência como se estivessem a viver numa das províncias do interior.
A falta de infra-estruturas sanitárias para atender a população não é culpa dos cidadãos, mas de governantes que invertem as prioridades, onde para elas o "mais importante é resolver o problema da sua boa vida" e não "resolver o problema do povo", como pediu o primeiro presidente da República, António Agostinho Neto.
Ao que tudo indica, as prioridades desse governo estão invertidas porque para eles "o MPLA é o povo e o povo é o MPLA". Com base nisso, dão boa vida aos militantes do MPLA que representam o tal povo e se esquecem do verdadeiro povo que sofre no dia-a-dia, com a falta de sensibilidade desses governantes que ao invés de administrar os bens públicos, na maior parte das vezes, servem-se deles para benefício próprio.
No final, o povo, é quem acaba por pagar a pesada factura com a morte de ente queridos que ainda tinham muito por dar ao País e às suas famílias.
Casos de cólera em Angola passam a 508 e fazem 27 mortos
Só para se ter uma ideia da dimensão do problema, Angola confirmou até na sexta-feira, 17 de Janeiro, um total de 86 casos de cólera, totalizando 508, com mais três mortes confirmadas, num total de 27.
Segundo o Ministério da Saúde até ao momento, 50 pessoas permanecem internadas e o grupo etário mais afectado são crianças, o apregoado "futuro do País", dos dois aos nove anos de idade, com 145 casos e 10 mortes.
O surto de cólera, declarado a 7 de Janeiro, já fugiu do controlo da esfera de Luanda e afectou mais duas províncias, Bengo e Icolo e Bengo, embora o epicentro da doença continua a ser o município de Cacuaco.
Por exemplo, dos 27 óbitos, 20 ocorreram em Luanda, quatro no Bengo e três na nova província de Icolo e Bengo.
Em 2023, o antigo governador de Luanda, Manuel Homem, fez uma incursão de cinco dias nessa zona de Luanda onde a Polícia perdeu rede sobre a criminalidade e onde se precisa de um grande trabalho da administração do Estado, com a colocação de infra-estruturas básicas.
Com o surgimento da cólera, fica claro que a construção de hospitais de grande envergadura não resolvem os problemas básicos de saúde, à não ser os centros de saúde primários que deveriam inundar todos os bairros para que os cidadãos não precisem andar longas distâncias em busca de atendimento sanitário, já que por falta de hospitais a população recorre à terapia tradicional ou tratamentos caseiros.
Neste sentido, o Governo Provincial de Luanda, agora dirigido pelo governador Manuel Nunes Júnior, é chamado a dar resposta aos problemas básicos que aquelas populações enfrentam, como a falta de água, saneamento básico e até à colocação de um centro de saúde, já que o único posto ali existente com apenas sete técnicos de enfermagem e um de diagnóstico e terapia atende mais de 100 mil habitantes de 44 quarteirões daquele intrincado bairro de Luanda.











