Pacificação da RDC: João Lourenço assume (de verdade) papel de mediador e junta partes beligerantes
O presidente João Lourenço assumiu, de facto e de jure, o seu papel de mediador designado pela União Africana, para a pacificação da República Democrática do Congo (RDC), ao colocar na mesa de conversações de paz, as partes beligerantes, no caso, representantes do governo congolês e do grupo rebelde M23 em Luanda.
Por: Telson Mateus
Em condições normais, este encontro já deveria ter sido realizado há muito tempo, enquanto se "perdia" tempo e dinheiro a tentar persuadir o Ruanda a parar de financiar o Movimento 23 de Março, embora não é o único financiador deste grupo rebelde.
O NA MIRA DO CRIME apurou que do lado do governo da RDC, o ex-líder rebelde e antigo prisoneiro do Tribunal Penal Internacional (TPI), Jean-Pierre Bemba chefia a delegação governamental nas negociações de paz desta terça-feira, 18, na capital angolana, depois de ambas as partes terem confirmado as suas respectivas presenças.
Do lado do M23, embora ainda não seja do domínio público que assume a liderança nas conversações e estejam a circular algumas informações segundo as quais o grupo já não participa do diálogo, este portal tem a confirmação da Presidência da República angolana de que tudo está a postos para o tão aguardado encontro.
Por este facto, o M23 enviou uma delegação composta por cinco pessoas a Luanda, para participar no encontro, tal como informou o porta-voz do movimento, Lawrence Kanyuka, na rede social X (Twitter), na segunda-feira.
O conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC) tem vindo a intensificar-se desde Janeiro, quando os rebeldes do M23 tomaram a cidade estratégica de Goma, a que se seguiu a tomada de Bukavu em Fevereiro.
O Presidente João Lourenço anunciou na passada quarta-feira o início das negociações diretas de paz entre o Governo da RDC e o M23, na terça-feira, em Luanda.
Horas depois do anúncio, na noite de quarta para quinta-feira, o M23 assumiu o controlo da Ilha Idjwi, no Lago Kivu e o grupo passou a controlar sete dos oito territórios que compõem a província oriental do Kivu do Sul.
O M23 - que é apoiado pelo Ruanda e por alguns países ocidentais, como os EUA, Alemanha e França - controla as capitais das províncias do Kivu do Norte e do Sul, que fazem fronteira com o Ruanda e são ricas em minerais essenciais para a indústria tecnológica e para o fabrico de telemóveis.
O número de mortos no conflito em Goma e arredores, capital do Kivu do Norte, ultrapassou os 8.500 desde Janeiro, de acordo com informações prestadas pelo ministro da Saúde Pública congolês, Samuel Roger Kamba, no final de Fevereiro.
Naquela província, a actividade armada do M23 - um grupo constituído sobretudo por tutsis, que sofreu o genocídio do Ruanda em 1994 - foi retomada em Novembro de 2021 com ataques-relâmpago contra o Exército congolês.
Desde 1998 que o leste da RDC está mergulhado num conflito alimentado por milícias rebeldes e pelo Exército, apesar da presença da missão de manutenção da paz da ONU (Monusco).











