Pacificação da RDC: M23 recua nas conversações de Luanda e coloca em 'xeque' fim do conflito no leste de Kinshasa
Ao contrário do que tinha sido anunciado pela Presidência angolana, de que estava tudo à postos para se dar início esta terça-feira das conversações entre a República Democrática do Congo e o Movimento 23 de Março, com a mediação do Presidente angolano, João Lourenço, o movimento rebelde M23, deu o dito pelo não dito e recuou na decisão de vir à Luanda sentar-se à mesa de negociação para o fim do conflito no leste da RDC. Segundo apurou o NA MIRA DO CRIME, em causa está a aplicação de sanções, nos últimos dias, a figuras de peso do M23.
Por: Telson Mateus
O Presidente João Lourenço, viu deste modo, gorada a sua intenção de colocar um "ponto final" no conflito que opõe o país vizinho, Congo Democrático ao movimento rebelde M23 apoiado pelo Ruanda e alguns países ocidentais.
O "campeão da paz", designado como mediador do conflito pela União Africana, voltou a perder pontos ao não incluir no grupo selecto das conversações, o Ruanda que se 'baldou' no encontro anterior. Deste modo, embora a comitiva da RDC já esteja em Angola, desde a noite de segunda-feira, encabeçada por Pierre Bemba, a poucas horas da abertura das negociações sobre o conflito no leste da RDC, em Luanda, os rebeldes do M23 recuaram e cancelaram a sua participação no encontro.
O M23 tinha aceitado enviar uma delegação para "participar no diálogo directo". Uma ordem de missão chegou a ser estabelecida e previa uma delegação composta por cinco pessoas, liderada por Benjamin Mbonimpa secretário-executivo do AFC/M23 - presente na lista de personalidades sancionadas pela União Europeia desde Julho de 2024.
Além disso, o itinerário da delegação do M23 estava definido: passagem pelo Uganda, voo fretado (alugado) por Angola, estadia de quatro dias em Luanda e regresso previsto a Goma no dia 21 de Março.
Na noite desta segunda-feira, o grupo mudou de posição e explicou, em comunicado, a decisão: "As sucessivas sanções impostas aos nossos membros, incluindo as adoptadas na véspera das discussões de Luanda, comprometem gravemente o diálogo directo (...) A nossa organização não pode continuar a participar nas negociações".
Sanções extensivas ao exército ruandês
Segundo os órgãos internacionais, esta segunda-feira, a União Europeia (UE) anunciou uma nova série de sanções contra vários líderes do M23, incluindo o seu chefe Bertrand Bisimwa, bem como contra diversos responsáveis do exército ruandês.
Paralelamente, e quase em simultâneo, Kigali anunciou a ruptura das relações diplomáticas com a Bélgica, acusando a antiga potência colonial de "tomar partido" por Kinshasa.
Régio Conrado, professor de Ciência Política e de Direito na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, sublinha que na sequência das novas sanções europeias e da ruptura de relações entre Kigali e Bruxelas, “não se podia esperar outra decisão do M23”. O docente acrescenta que o anúncio das sanções da UE na véspera das negociações em Luanda “mostra muito claramente que a União Europeia está pura e simplesmente a jogar para defender os seus interesses estratégicos”.











