Mulenvos: População clama por estancamento de ravinas e distribuição de água potável
Os moradores do município dos Mulenvos, em Luanda, continuam a clamar por soluções urgentes para o estancamento de ravinas, acesso à água potável, saneamento básico, entre outros serviços essenciais que afectam directamente a qualidade de vida da população.
Por: Solange Figueira
Carlos, residente no bairro Boa Fé há 20 anos, denuncia a falta de infra-estruturas no município.
“A situação é crítica há vários anos e nada muda. A fome, a miséria e o desemprego são problemas que afectam directamente os munícipes dos Mulenvos”, reclamou.
A população queixa-se da falta de contentores para deposito do lixo, sendo que existe apenas um nos oito sectores do bairro Boa Fé, o que tem transformado às ravinas e casas abandonadas em verdadeiros depósitos de lixo.
A população diz que nunca teve acesso à água potável. Um bidão de água custa actualmente 400 kwanzas.
Dona Carla, moradora do bairro Kapalanga, relata que a situação das ravinas e a falta de saneamento básico têm tirado o sono dos moradores.
“Existe uma enorme ravina junto a uma fábrica de alumínio que se transformou em vala de lixo. Com as chuvas, a situação agravou-se. As ruas sem iluminação facilitam os assaltos. Pedimos limpeza, água potável e mais dignidade”, exigiu.
Walter, coordenador comunitário, lamenta o abandono em que vive a população. “Conhecemos bem a realidade deste bairro. Passamos fome por falta de emprego. A administração e a associação local pouco fazem. Somos chamados diariamente para ajudar moradores com deficiência física sem moradia e sem o que comer. Precisamos de apoio para gerar renda, resolver os problemas de lixo, falta de energia, escolas e emprego. As pessoas pedem apenas o básico para viver com dignidade”, observou.
A equipa de reportagem esteve na Administração Municipal dos Mulenvos, situada no Bairro Boa Fé, Largo dos Escorpiões, na sede do Prédio do Clube Desportivo Escorpiões, onde falou com o Administrador, Euclides da Costa.
Segundo ele, a resolução dos problemas sociais é prioridade. “Temos um grande défice no abastecimento de água. O Centro de Distribuição dos Mulenvos atende apenas alguns bairros de forma limitada, o que obriga muitos moradores a comprar água em camiões cisterna”, explicou.
Disse que o seu pelouro trabalha com a EPAL e o Governo Provincial para encontrar soluções urgentes.
Sobre o saneamento básico, afirma que apenas a empresa Vista West está encarregada da recolha de lixo.
“Devido à degradação das vias, os camiões não conseguem aceder a todos os bairros. Estamos a promover campanhas de limpeza com os moradores, enquanto buscamos uma solução definitiva”, disse.
Em relação às ravinas, reconhece que o problema é antigo e grave. “Algumas já engoliram residências, encaminhámos o caso ao Governo Provincial e o Governador manifestou intenção em trabalhar connosco na resolução.”
O administrador concluiu sublinhando que há empenho para reabilitar vias principais e melhorar as condições de vida no município.
“Sabemos que os desafios são grandes, mas estamos comprometidos em trabalhar para transformar a realidade dos nossos munícipes.”











