‘Namoro’ entre ACJ e Abel por um fio: Depois de Congresso Constitutivo PRA-JA avança sem a FPU
Tudo está desenhado para que o PRA-JA Servir Angola, liderado por Abel Epalanga Chivukvuku, afine as agulhas para depois do congresso Constitutivo, que se realiza em Maio próximo, formalizar uma coligação, de que farão parte várias sensibilidades da vida nacional, pondo fim ao seu vínculo à plataforma eleitoral Frente Patriótica Unida (FPU), constituída em 2022, na véspera das eleições gerais.
Por: Lito Dias
As XIIª Jornadas do Grupo Parlamentar da UNITA, realizadas na província de Cabinda, de 26 a 31 de Março, expuseram aquilo que já se cogitava nos círculos políticos angolanos: o início em peso do desmoronamento da Frente Patriótica Unida (FPU), com a saída de deputados ligados ao PRA-JA Servir Angola e o reposicionamento dos restantes. Embora, na prática, era suposto que o partido de Abel Chivukuvuku tenha criado um cenário que pôs os seus deputados em check, ao terem sido obrigados a abandonarem a Assembleia Nacional, caso quisessem ocupar cargos de direcção, aqueles que resistiram a essa obrigação, segundo apurou este jornal, acabaram por se rever no partido por cujo Grupo Parlamentar foram eleitos.
Em Cabinda, para além de deputados ligados à UNITA, estiveram também os ligados ao Bloco Democrático e à Sociedade Civil, em número muito reduzido.
O PRA-JA, que diz que continua na plataforma eleitoral, não se fez representar nem ao seu mais baixo nível, situação vista como o início da rotura.
A partir de Maio relação de Abel com Adalberto Costa Júnior já não será de “irmãos” unidos que andam no mesmo caminho, pois as hostilidades entre ambos já estão a ser construídas na base, onde já há muita palha a se mexer.
Fonte deste jornal assegurou que uma coisa que não sai da cabeça dos militantes da UNITA é a ideia de que os seus parceiros da FPU têm uma agenda muito aquém daquela que uma verdadeira oposição deve seguir.
“Dizem estar muito doce ao poder”, acusam, referindo que está mais preocupada com o recrutamento de militantes do que com a sua participação em fóruns de diálogo construtivo, tendente a impedir “as manobras do MPLA, sobretudo de âmbito legislativo”.
Mas também o PRA-JA respira algum alívio com a sua saída da plataforma, onde, praticamente, viveu com a cabeça abaixo e constante subordinação à estratégia e ordens do partido do Galo Negro.
“Sujeição às cores partidárias era o que mais incomodava”, confessa um correligionário de Chivukuvuku.
Com a mobilização da UNITA para a constituição de uma coligação fora de questão, se de um lado o congresso do PRA-JA, marcado para Maio poderá definir com quem marchar na nova aliança; o congresso do partido liderado por ACJ, que estatutariamente deve realizar também o seu congresso este ano, vai fazer um balanço do “namoro” com os seus pares da FPU e definir estratégias para os desafios de 2027, tendo como referência a necessidade de se manter ou não a plataforma eleitoral.











