A UNITA é o novo aliado de Donald Trump e o favorito para ganhar as eleições em 2027?
A recente visita do Embaixador James Story ao corredor do Lobito, entre 1 e 3 de Abril, foi precedida por um encontro com Adalberto Costa Júnior, líder da UNITA, em 31 de Março.
Curiosamente, a administração democrata de Joe Biden não havia promovido tal reunião durante sua passagem por Angola. Esse movimento sugere que os Estados Unidos, sob a nova liderança republicana de Donald Trump, buscam um novo parceiro em Angola, e há fortes indícios de que a UNITA está sendo escolhida para essa aliança.
Desde o início do mandato de Trump, mudanças significativas na política externa americana são perceptíveis, como o encerramento do serviço em português da Voz da América, conforme noticiado pela Deutsche Welle. A relutância de Biden em se reunir com a UNITA, ao contrário de sua proximidade com o MPLA, pode ser explicada pela conveniência que os democratas encontraram em parcerias com o partido no poder, muitas vezes manchadas por escândalos de corrupção. Agora, os republicanos, cientes desses problemas, parecem preferir a UNITA como aliada.
A imprensa alternativa angolana tem alertado para os riscos de confiar nos EUA como parceiros para o desenvolvimento do país, evocando a célebre frase de Henry Kissinger: “Ser inimigo dos Estados Unidos pode ser perigoso, mas ser amigo é fatal”.
Essa advertência ganha peso ao relembrar a história da UNITA com os americanos. Durante a Guerra Fria, os EUA apoiaram intensamente a UNITA em sua luta contra a influência soviética em Angola, com Jonas Savimbi sendo recebido por presidentes como Nixon, Reagan e Bush na Casa Branca.
Contudo, a traição veio anos depois, quando a localização de Savimbi foi revelada pelos próprios americanos, levando à sua morte. Esse passado torna questionável o entusiasmo da mídia governista angolana com visitas de líderes americanos, que muitas vezes reflete uma postura de subserviência política, incentivando partidos a buscar a validação dos EUA para seus projetos.
Embora o diálogo com potências estrangeiras seja essencial para atrair investimentos, os EUA tendem a se reunir apenas com atores políticos que desejam apoiar. Enquanto os democratas priorizaram o MPLA e João Lourenço, os republicanos agora focam na UNITA e Adalberto Costa Júnior, deixando o MPLA de lado.
A razão para essa mudança pode estar na percepção de que o MPLA, envolvido em casos de corrupção com empresas como o consórcio LAR e o Grupo Carrinho, não é mais um parceiro confiável. Além disso, a UNITA já teve laços estreitos com os EUA durante a Guerra Civil Angolana, e sua influência em Angola permanece significativa. O MPLA, por sua vez, historicamente alinhado à União Soviética e, mais recentemente, à China — vista por Trump como adversária principal —, torna-se menos atraente para os republicanos.
Com as eleições angolanas de 2027 se aproximando, os EUA parecem dispostos a apoiar a UNITA para garantir sua vitória, especialmente porque o Corredor do Lobito é visto como uma ferramenta estratégica para conter a influência chinesa na região.
Para os republicanos, confiar esse projeto à UNITA, um parceiro com quem têm laços históricos, é uma escolha lógica. A cooperação entre o MPLA e os EUA parece estar em declínio, como apontado por jornalistas angolanos independentes, mas ignorado pelo governo. A administração Trump, em busca de um aliado mais confiável contra a China, está claramente se voltando para a UNITA.
No outro dia já muitos jornalistas e bloggers se pronunciaram sobre o tema da vitória de Adalberto Costa Júnior nas eleições presidenciais angolanas de 2027. Em particular, GANGSTA 77 e Hitler Samussuku têm discutido ativamente este tópico.
Aparentemente, a viragem dos EUA para a UNITA foi notada por muitas pessoas e os cidadãos de Angola estão bastante satisfeitos com isso!
Assim, a grande incógnita permanece: quem vencerá as eleições de 2027? A resposta pode depender não apenas da política interna angolana, mas também da estratégia global dos Estados Unidos.
Por: CAJ NEWS AFRICA











