Só podem levantar até 250 mil por semana: Clientes do Banco Económico insatisfeitos com novas políticas do banco que está em “falência técnica”
Os clientes do Banco Económico, antigo Banco Espírito Santo Angola (BESA), estão revoltados com as novas políticas do banco, adoptadas há pouco mais de três meses.
Por: Belchior Resende
Os clientes contam que o banco obriga que todos os clientes devem apenas levantar até 250 mil kwanzas por semana, independentemente da situação que se encontra, ou do dinheiro que tenha no referido banco.
“É um desgaste tremendo, para além da constante falta de sistema nos balcões, agora o banco orienta que cada cliente não pode levantar mais de 250 mil kwanzas da conta, mesmo que tenha mil milhões de kwanzas, isto é inadmissível”, reclamou uma cliente, que pediu anonimato.
Por outra, os clientes dizem que, mesmo tendo em posse um multi-caixa, o banco proíbe que se possa fazer transferência diária de mais de 500 mil kwanzas.
“Quis comprar uma viatura que estava a ser vendida por um amigo que estava aflito, ao preço de 1 milhão de kwanzas, e perdi o negócio porque, mesmo tendo este dinheiro na conta, o banco não facilitou a vida, nem no balcão nem com o multi-caixa consegui levantar 1 milhão de kwanzas”, lamentou.
Liderado pelo português Pedro Filipe Pedrosa Pombo Cruchinho, formado em gestão de empresas, o Banco Económico, de acordo com o Expansão, registou capitais próprios negativos de 630,7 mil milhões Kz relativos ao exercício económico e financeiro de 2024, naquele que é o sexto ano consecutivo em que o ex-BESA se encontra em falência técnica, segundo cálculos do jornal, com base nas demonstrações financeiras do banco.
O ex-BESA continua "ligado à máquina", com problemas de liquidez e a precisar de uma injecção de "dinheiro fresco".
Nesta altura ainda não está publicado o relatório e contas de 2024, escreve o Expansão, mas os números do balancete do IV trimestre apontam que o passivo do banco aumentou 9% para 1,5 biliões Kz, mais 118,7 mil milhões face a 2023.
E se o passivo aumentou, por outro lado, o activo caiu 8% para 839,9 mil milhões Kz, menos 68,2 mil milhões Kz, o que justifica a falência técnica do banco, uma vez que o passivo é superior ao activo, ou seja, o banco tem uma situação liquida negativa.
O balancete do IV trimestre revela também que o Banco Económico registou prejuízos pelo terceiro ano consecutivo, tendo contabilizado um resultado líquido negativo na ordem dos 3,4 mil milhões Kz (cerca de 4,0 milhões USD).
Ainda assim, os prejuízos foram bem menores quando comparado com os resultados negativos de 298,0 mil milhões Kz registados em 2023. Teria de se olhar para o relatório e contas, que segundo a BNA deve ser publicado até 31 de Abril, para se perceber o que está na base de uma redução tão elevada dos prejuízos.
Assim, apesar de o banco ter intensificado em 2023 o Plano de Reestruturação e Recapitalização iniciado em 2021, fechando 28 agências para um total de 42, e diminuindo em 215 o número de colaboradores para 630, esta redução de despesas da actividade praticamente não teve impacto nas contas, já que a instituição bancária (que recebeu em 2023 60% dos 100 milhões USD pela venda da sua sede à ANPG e em 2024 os restantes 40%) viu os seus capitais próprios agravarem-se.
Na prática, o banco continua a enfrentar o mesmo problema de sempre, a falta de liquidez que o impede de dar o salto deste período negativo em que se encontra praticamente desde que renasceu das cinzas do BESA, mas que foi agravado em 2019 com a reavaliação de activos que o Banco Nacional de Angola (BNA) fez a pedido do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde foi destapado o volume do malparado da instituição.











