Em plena quinta-feira – Governadora do Bengo dá folga aos funcionários para não receberem deputados da UNITA
A Governadora do Bengo, Maria Antónia Nelumba, depois de todo protocolo observado, abandonou, esta quinta-feira, 15, o palácio provincial para evitar o encontro com os deputados do Grupo Parlamentar da UNITA que pretendiam abordar com ela os meandros dos últimos desenvolvimentos políticos marcados pela violência policial contra militantes do maior partido na oposição, no dia 08, durante uma vigília pacífica, de que resultaram 21 feridos, dos quais um em estado crítico.
Por: Lito Dias
Os parlamentares do Galo Negro foram a Caxito, capital da província do Bengo, nesta quinta-feira, 15, para se solidarizarem com as famílias afectadas pelas agressões da polícia e visitar as instituições do Estado, como: Governo Provincial, Comando Provincial da Polícia Nacional, Procuradoria-Geral da República e mercados, que tinham sido previamente avisadas.
Nas instituições do Estado, procuraram entender as reais motivações que levaram aos acontecimentos da noite do dia 08 de Maio, já que este partido acredita ter havido violação do direito de reunião e manifestação desses cidadãos, pois, segundo diz, a vigília, além de ser pacífica, foi realizada no prazo e nos termos estabelecidos por lei e previamente comunicada à Governadora Provincial do Bengo.
As visitas foram antecedidas por um acto de massas, presidido pelo presidente deste partido, Adalberto Costa Júnior, que se atrelou à agenda dos deputados para manter contacto com os quadros naquela província.
Primeira paragem foi o Governo Provincial onde, de princípio, o encontro com a governadora Maria Antónia Nelumba aconteceria às 11 horas.
Para a surpresa dos deputados, as instalações do Governo Provincial estavam fechadas e a directora do gabinete que havia garantido a realização do encontro na hora combinada, tinha o telemóvel desligado.
Minutos depois, apareceu um cidadão que disse ser funcionário do Governo Provincial, mas assegurou desconhecer a agenda e paradeiro da governadora.
Em quase uma hora, os deputados aguardavam às portas da sede governamental por um sinal, mas o silêncio era tumular, tendo prosseguido com visitas à PGR e ao Comando Provincial da Polícia.
Enquanto na PGR o encontro correu sem sobressaltos, já no Comando Provincial da PNA, o encontro não produziu nenhum resultado, tudo porque na ausência do Comandante Provincial, ninguém podia soltar nem ‘um som nem tom’.
Para a 1ª Vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Navita Ngolo, não faz sentido que a governadora que se mostrou disponível em receber a delegação do Grupo Parlamentar, na companhia dos seus adjuntos, não trabalhem numa quinta-feira.
Na quarta-feira, 14, disse, recebeu um telefonema da directora do gabinete da governadora a confirmar o encontro.
“Para o nosso espanto, encontramos tudo fechado, ninguém nos diz nada, numa quinta-feira, que as instituições funcionam normalmente. É sinal de que, apesar da província estar subdesenvolvida, a governadora e seus vice-governadores não trabalham num dia normal de expediente”, concluiu.
“Esses gajos não podem ficar aqui”
A reportagem do Na Mira do Crime esteve no Bengo, esta quinta-feira, e ouviu relatos de pelo menos 08 feridos ligeiros, na sequência da vigília que o GPU realizou.
Confirmaram ter havido mais feridos, mas todos ligeiros, com excepção de um que foi evacuado para Luanda, depois de ter um AVC.
Segundo testemunhas, o acto, apesar de pacífico, foi interrompido pela polícia a mando do Superintendente Nelson David Paulo, Comandante Municipal do Dande que, durante a acção da polícia dizia que ninguém podia ficar próximo do comité do seu partido (entenda-se, a vigília estava a decorrer não próximo, mas na mesma rua onde está localizado o Comité Provincial do MPLA).
“Tirem essa gente dai; esses gajos não podem ficar aqui”, teria dito o comandante Nelson, apesar de os seus efectivos terem garantido a ele que a vigília era pacífica, não havia barulho e não havia perigo nenhum.
“Só quero essa gente fora daqui”, sentenciou. O que veio depois, só foram corridas e gritos, segundo testemunhas.











