ACJ ludibriado? - Congresso do PRA-JA vai decidir sobre fim da FPU
A ausência da Adalberto Costa Júnior no Congresso Constitutivo do PRA-JA – Servir Angola, a troca de animosidades entre alguns Conselheiros de Abel Chivukuvuku e internautas sobre as reais pretensões deste partido, transfiguram a Frente Patriótica Unida (FPU) numa força que só está à espera de empurrãozinho para perder a sua génese.
Por: Mara Márcia
O Congresso Constitutivo do PRA-JA, que decorre em Luanda, vai ser um desses empurrões que vão ditar com quem a FPU vai de coser o tempo que resta até 2025, para o desagrado dos militantes deste partido, agora oficialmente liderado por Abel Epalanga Chivukuvuku, coadjuvado por Xavier Jaime e Isaías Sambangala, que exigem uma posição clara sobre essa aliança com a UNITA.
Este partido teve de adequar os seus desígnios aos imperativos constitucionais, realizando o seu congresso dentro dos prazos estabelecidos e não esperar que um dos seus principais concorrentes, no caso a UNITA, realize, primeiro, o seu congresso para se saber o que decidirá sobre a FPU.
No dia 24 de Maio, o maior partido na oposição vai realizar a reunião do seu Comité Permanente da Comissão Política para, dentre outros assuntos, convocar o seu congresso ordinário que, obviamente, vai se debruçar também sobre a continuidade ou não da FPU, além da reeleição do presidente.
Independentemente do que o PRA-JÁ vier a decidir, este Jornal sabe que dará luz verde à criação de uma coligação de partidos, uma opção rejeitada pela UNITA, pondo fim à aliança entre ambas formações políticas, no âmbito da FPU. Tudo o que vier depois será fora desta plataforma.
O Bloco Democrático, de Filomeno Vieira Lopes, também tem à vista o seu congresso para restruturar o partido, tendo em vista os desafios eleitorais de 2027. Duas coisas podem dominar o certame desta força política: continuar na FPU e render-se à UNITA e, deste modo, abdicar da apetência de se candidatar nas eleições gerais; ou esforçar-se e participar sozinho no pleito de daqui a dois anos e seguir em frente.
A FPU já não tem membros da sociedade civil; também não tem membros em efectividade do PRA-JA – Servir Angola, já que os três deputados que não declinaram os seus assentos na Assembleia Nacional, segundo fontes deste Jornal, deverão, durante o congresso, formalizar a sua adesão à UNITA.
Chivukuvuku já não “mama” na FPU
Depois de ser expulso da CASA-CE, onde já foi presidente e principal contribuidor, Chivukuvuku, na companhia de seus pares, nomeadamente Lito Bernardo Tito, Xavier Jaime, Carlos Candanda, Isaías Sambangala, Américo Chivukuvuku, Leonel Gomes, ficaram sem beira nem eira, com o Tribunal Constitucional a chumbar tudo e mais alguma coisa, desde que tivesse rótulo do político.
Como é sabido, à beira das eleições gerais de 2022, depois de uma prévia concertação, Abel “apaixonou-se” por um projecto que congregaria todas as sensibilidades da vida nacional que, no final de tudo, viria a chamar-se Frente Patriótica UNITA (FPU), com Adalberto Costa Júnior à testa. O Bloco Democrático fez o mesmo. Da sociedade civil foi sacado o empresário Francisco Viana.
Durante aproximadamente três anos, caminhavam juntos, prometiam transformar-se numa união imbatível, porque eram o “trio da vitória” e eram irmãos. Mais do que isso, eram as personalidades “que o povo gosta”, dito isto por Abel.
Bastou a legalização do PRA-JA em Outubro de 2024 para as combatividades começarem. Abel Chivukuvuku atirou para hasta pública a promessa de tudo fazer para, em 2027, ser governo ou fazer parte dele.
Esta promessa baralhou muita gente, inclusive seus correligionários que vão ter a oportunidade de esmiuçar a afirmação. Aliás, é um dos assuntos que vão dominar os debates em comissões.
Nos bastidores, diz-se que o partido de Chivukuvuku não põe de parte a hipótese de se coligar ao MPLA ou com qualquer força política. Esta visão, segundo alguns analistas, o coloca numa posição mais “doce” se comparado a ACJ que riposta a ideia de que o partido no poder é “inimigo” e não “adversário”.
O amenizar da linguagem e os propósitos poderão ser útil para as alianças que se conjecturam, com o “formar governo ou fazer parte dele”, ser um objectivo que vai capitalizar tanto as atenções do MPLA, da UNITA assim como do próprio PRA-JA.











