“Democracia interna” tira Higino carneiro da corrida à presidência do MPLA
Desde 2024, a notícia sobre eventual candidatura de Higino Carneiro (HC) ao cadeirão máximo do MPLA vem ganhando corpo, mas sem comentários de altas figuras do partido governante. Mas porque tudo tem o seu tempo, eis que o Presidente do partido, João Lourenço, em entrevista concedida à Televisão Pública de Angola, apresentou aquilo que pode ser considerado uma sentença de HC, retirando-lhe toda a possibilidade de sonhar com a presidência da formação política onde milita desde jovem.
Por: Lito Dias
É consabido que a democracia interna nos partidos políticos se refere à forma como estes são governados internamente, incluindo a participação dos seus membros na tomada de decisões e na escolha de candidatos e lideranças. Ela é essencial para a garantia de uma representação política mais eficaz e para a promoção da legitimidade dos partidos.
No entanto, há partidos cuja democraticidade interna deixa muito a desejar, pondo até em causa os seus propósitos, no caso concreto de Angola onde, não poucas vezes, se questiona se a exigência de democracia interna nos partidos políticos também se configura uma forma de democracia militante, já que esta sempre teve uma relação direta com a proibição ou banimento de partidos políticos por questões ideológicas ou de conduta.
Na entrevista concedida à TPA, Lourenço deixou muito espaço para questionamentos no concernente à democracia interna que, em vez de dar liberdade aos militantes, parece restringir direitos.
O presidente do MPLA trouxe à liça o caso HC, o tal general que foi apelidado “4x4”, enquanto governador provincial de Luanda, devido ao seu pragmatismo.
Depois de aparentemente ter sido combatido através da revisão dos estatutos do partido, no último congresso, para travar a sua candidatura, o general que já foi Chefe de Estado Maior das FAPLA, braço armado do MPLA, não desarma e mexeu alguma palha tendo como foco a liderança do MPLA; o que forçou o actual presidente dos camaradas a abordar o assunto de maneira dilacerante.
Como se a entrevista se destinasse a tratar de Carneiro, o PR não poupou alguns minutos para esclarecer que, enquanto presidente do partido, assim como os militantes não apoiam ninguém, absolutamente ninguém.
Para ele, o MPLA tem as suas regras e é um partido muito maduro, um partido que tem democracia interna e, por ter democracia interna, é adverso a todos aqueles que se apresentam como sendo especiais, como sendo super-militantes, super-generais, sobretudo quando na realidade se vem constatar que não o são.
“Quando aparece um militante nosso que se apresenta como super-militante, super-general predestinado a ser Presidente da República é algo que a gente considera de muito grave”, considerou, acrescentando que aqueles que andam a dizer que não há democracia interna no MPLA deviam entender que o apresentar-se como predestinado “é matar a democracia interna no MPLA”. E disse mais: “a mensagem que está a passar a outros candidatos é que não vale a pena vocês concorrerem porque estão a perder o vosso tempo porque o destino já me predestinou. Já definiu o meu destino e o futuro de Angola”.
Sem citar nomes, João Lourenço acusa o “super-general” de estar a dizer que vão perder dinheiro e tempo; não sei se vale a pena fazer eleições. “Esta é a mensagem que está a passar, no fundo. O Estado já não deve organizar eleições porque ele já está destinado a ser presidente”.
E agora?
Com os recados de João Lourenço, todos os militantes do MPLA que pretenderem chagar ao cadeirão máximo do partido deverão fazê-lo não muito fora da época, pois, por enquanto, tal iniciativa não terá sua “bênção”.
Se, na verdade, HC quiser entrar na jogada já agora só será útil se tiver apoio de outros generais, na sua maioria reformados, como se diz à boca pequena. O surgimento de figuras da velha guarda do partido ao seu lado poderá ser outra opção a ter em conta, embora já descartada pelos seus seguidores.
Fala-se em grande simpatia com Júlio Bessa, titular do projecto político “CIDADANIA”, especulações também desmentidas, já que ele, por enquanto, só pretende mesmo “levantar poeira” dentro do seu MPLA.











