"Um pai autoritário, uma filha milionária, um filho preso, um general ameaçador e um número enorme de intriguistas", livro conta saga da família dos Santos
Esta é "uma história extraordinária, em que entram um pai autoritário, uma filha milionária, um filho preso, um general ameaçador e um número enorme de intriguistas", explica a autora, Estelle Maussion, que entre 2012 e 2015 foi correspondente da Agência France Presse e da Radio France Internationale, em Luanda.
Com o título O Domínio de Angola - Um Retrato do Poder de José Eduardo dos Santos, o livro, em que a jornalista explica como José Eduardo dos Santos montou um sistema que lhe permitiu dominar o país durante 38 anos e alimentou a corrupção no país, chega ao mercado português no próximo dia 11 de fevereiro com a chancela da Oficina do Livro, do grupo Leya.
O cenário é Angola e o livro conta como "depois de ter chegado ao poder quase por acaso", José Eduardo dos Santos, o patriarca e pai autoritário desta saga "entrega o controlo dos recursos do país ao seu círculo mais próximo ao longo de 38 anos". Assim "torna-se o chefe todo-poderoso de um clã que em pouco tempo se tornou muito rico".
E durante muito tempo os membros desse clã são vistos como "intocáveis" e o seu "reino anuncia-se eterno". Até que é forçado a passar o testemunho. Mas "o novo homem [João Lourenço], quer mudar as coisas. "O seu alvo é o sistema dos Santos", assinala Estelle Maussion.
O livro foi editado originalmente em francês, no início de outubro, numa altura em que a aura de intocáveis já não se aplicava a todos os membros da família do ex-presidente angolano - José Filomeno dos Santos, um dos filhos do ex-presidente de Angola já estava preso em Angola, e por isso mesmo no livro Estelle Maussion apresentava-o como "o filho sacrificado", como explicou ao Plataforma Media.
No entanto, a autora não previa o que viria a acontecer a 23 de dezembro: o arresto dos bens de Isabel dos Santos, a filha mais velha da família. Nem tão pouco a divulgação dos 715 mil ficheiros (batizados como Luanda Leaks) com informações sobre a ascensão de Isabel dos Santos e a fortuna que acumulou.
Revelações que Estelle Maussion considera "um trabalho de investigação considerável, que traz novos elementos importantes para entender o império dos Santos-Dokolo". "Fornecem detalhes sobre a rede de empresas e holdings do casal, em Angola, em Portugal e em muitos países. Mas também se deve sublinhar que vêm na continuidade de pesquisas e publicações já efetuadas e que já questionavam a origem e a forma como o casal atinge o sucesso", afirma ao Plataforma Media.
A jornalista lembra "o trabalho do jornalista angolano Rafael Marques desde os anos 90 e, mais recentemente, as perguntas feitas pela ex-eurodeputada portuguesa Ana Gomes, sobre a origem do dinheiro angolano investido em Portugal. No meu livro, também exponho os bastidores do controlo da família dos Santos sobre o país".
Lembrando que os principais objetivos do seu livro - com o título original La dos Santos Company: Mainmise sur l'Angola -, era dar a conhecer Angola e a ascensão e queda da família dos Santos destacando o seu domínio sobre Angola bem como as ramificações internacionais de seu poder, Estelle Maussion defende que com as revelações dos documentos do Luanda Leaks "a exposição deste sistema assumiu uma dimensão internacional".
Um sistema do qual José Eduardo dos Santos é tanto o arquiteto como o destruidor, sublinha a jornalista, e que se estende a um restrito círculo de pessoas próximas e com ligações ao estrangeiro, como mostra no seu livro.











