Pilhagem em Luanda ´compromete´ caminhada: Ministro do Interior e Comandante-Geral apanhados com as calças na mão
Se estivéssemos num país sério e de política verdadeiramente aberta, com homens patriotas e que se revêem na Nação que juraram defender — falando propriamente para a classe castrense e os governantes que tratam da nossa defesa e segurança — não seria preciso o Presidente da República convocar o Conselho de Segurança para fazer rolar cabeças, em detrimento da paralisação (greve) dos taxistas, que evoluiu para uma pilhagem generalizada, principalmente na capital do país, com vários estabelecimentos comerciais saqueados, custos avultados e, o mais grave, a perda de várias vidas humanas.
Por: Osvaldo de Nascimento
Os órgãos de defesa e segurança de Angola principalmente à bófia (SINSE), eram, até há poucos anos, famosos pela sua capacidade de antecipar actos que poderiam alterar a ordem interna do país.
De um tempo a esta parte, e por culpa das altas patentes, que demonstram um certo esquecimento pelas regras castrenses que os orientam, e pelo juramento que realizam em nome do povo, tornaram-se paus-mandados do sistema político e, volta e meia, chocam com os direitos basilares dos cidadãos — tudo para mostrarem uma certa obediência que já vai para lá de “canina”.
As últimas manifestações ocorridas em Luanda e noutros pontos do país já mostravam uma certa sensibilidade nesta matéria, onde a polícia, em vez de fazer apenas o seu trabalho, se imiscuía em assuntos políticos, fazendo crer que desconhecia as regras.
Nesta paralisação dos taxistas, é de extrema importância que a falha na segurança tenha algum culpado.
A começar pelo Ministro do Interior, Manuel Homem, o Comandante-Geral da Polícia Nacional, Comissário-Geral Francisco Monteiro Ribas da Silva, ou ainda o Comandante Provincial de Luanda, Comissário-Chefe Manuel Francisco Gonçalves “Nelito”, sem esquecer o Delegado do SINSE em Luanda.
Ataques contra esquadras de polícia, pilhagens em supermercados, ataques a bancos, mortes de inocentes, destruição de bens públicos, ataque à figura máxima do país — o Presidente João Lourenço, cuja imagem foi queimada num outdoor —, entre outros, não podem ficar apenas como simples incidentes, nem tão-pouco se tratar apenas de fome por parte da população.
É uma afronta directa ao Estado de Direito e às instituições do Estado, e uma simples condenação de políticos ou figuras públicas não limpa a imagem beliscada do país, nem tão-pouco devolve a dignidade que a própria polícia deixou escapar ao não conseguir proteger os cidadãos e os seus bens.
O caso torna-se ainda mais grave pelo facto de estarmos a poucos meses de completar 50 anos de independência, numa altura em que o país se prepara para realizar várias actividades culturais e desportivas, com convidados vindos de várias partes do globo.
Luanda nunca experimentou um caso como este, e o poder do Estado foi posto em causa.
Não se pede aqui que a polícia saísse a disparar contra os saqueadores e bandidos; o que se esperava era que tivéssemos uma polícia minimamente preparada, capaz de antecipar situações como estas.
Este caso, sublinha-se aqui, não é apenas culpa dos saqueadores: é de toda a sociedade, mas têm ainda maior culpa aqueles que não sabem ouvir, que não sabem congregar e que pensam que são donos do país.
A polícia deve ser responsabilizada por não entender o grito dos seus próprios efectivos, que volta e meia reclamam de meios para poderem realizar as suas actividades.
A pressa em colocar filhos na polícia (como se fosse um simples emprego), em vez de polícias que saibam o seu real dever, foi demonstrada nestes dias 28 e 29. Bancos encerrados, ministérios parados… quanto se perdeu na economia nestas 48 horas?
O grito de revolta daqueles militares que foram afastados e que deveriam estar alistados na polícia foi ouvido nesta turbulência.
O grito de revolta dos jovens desempregados, embora de forma negativa e reprovável, também foi ouvido nesta turbulência.
Os marginais, que volta e meia são colocados em liberdade mesmo quando há dezenas de provas a mostrar a perigosidade que apresentam à sociedade, estiveram em evidência em todos os momentos desta pilhagem, e alguns não perderam a oportunidade de até tentar invadir a Comarca Central de Luanda (CCL).
É importante que se tome alguma decisão e que se responsabilizem as altas patentes da polícia, que têm em mãos — e em si — a responsabilidade pela nossa segurança, pessoal e patrimonial.
Estes actos afugentam empresários estrangeiros que queiram investir no país.
A falha da segurança interna não pode estar nas mãos de “distraídos”, sob pena de cairmos a qualquer esquina e a qualquer altura.











