ACJ não vai correr sozinho - Candidatos ‘aquecem’ para assaltar a liderança da UNITA
Desde 2019 na liderança da UNITA, Adalberto Costa Júnior, já sabe que não vai concorrer sozinho à sua própria sucessão, no XIV Congresso Ordinário da UNITA marcado para a segunda quinzena de Novembro de 2025, com a entrada em cena já anunciada de Rafael Massanga Savimbi, na corrida e tendo em conta que a porta está ainda aberta para mais candidaturas.
Mara Márcia
Como órgão supremo do partido, o congresso centra-se na análise da situação interna e do país, em geral, revê e actualiza os estatutos, mas é eleição do presidente que mais atenções centraliza.
Por enquanto, embora já se saiba sobre a pretensão do filho do líder fundador da UNITA concorrer, há sinais, embora ténues, de mais militantes aparecerem nesse exercício inaugurado em 2003. O regresso do octogenário (até 2007) Isaías Samakuva, é encorajado por alguns militantes, embora, na prática, esteja a ser visto internamente como desaconselhado, tendo em conta a forma como a sua figura vem sendo destratada no seio do partido, principalmente desde 2021.
As especulações à volta das candidaturas à presidência do maior partido na oposição crescem todos os dias. O que não cresce é a possibilidade de aparecerem mais quadros do partido que possam ameaçar a saída, por meio do voto, de Adalberto costa Júnior da liderança da UNITA.
Há três meses do conclave, o actual presidente do partido apresenta-se como favorito e pode destronar, com menor dificuldade qualquer concorrente, segundo uma fonte próxima do partido do Galo Negro. “Podem aparecer, principalmente mais jovens, a tentarem vencer ACJ, mas o farão apenas para animar o congresso, tal como aconteceu com José Pedro Kachiungo, 2019”, conjecturou.
Este Jornal sabe que alguns círculos partidários leais ao ex-presidente, pretendem convencê-lo a voltar à alta política, alegando desunião no seio da direcção de Adalberto Costa Júnior. Para atingirem esse desiderato, e esgotada que está a possibilidade de Samakuva voltar, esperam que este indique alguém de sua conveniência. Este tal de confiança, aventa-se que seja Rafael Massanga, filho do homem de cuja fundação Samakuva preside.
Se atendermos o facto de que muitos jovens promissores na ‘entourage’ da UNITA, como Adriano Sapiñala, Nelito Ekuikui, Liberty Chiyaka, Massanga Savimbi, Alcino Kuvalela, Agostinho Kamauango e Navita Ngolo, principalmente estes, emergiram na fase de Samakuva, parecer-nos-á que são esses que deverão apoiar uma eventual candidatura do ex-presidente. No entanto, a maioria desses jovens está completamente alinhada ao actual presidente que garantiu a sua ascensão para cargos mais elevados.
Nelito Ekuikui, sem querer dar o rosto, colocou-se na rota dos presidenciáveis, porém, é apontando como não tendo carisma à altura das encomendas. Ekuikui, a par de Rafael Massanga são, por enquanto, os únicos jovens cujos nomes já circulam na rota das candidaturas, sempre na lógica de se pretender “animar”, uma vez que precisam do aval de uma boa parte “dos mais velhos”. Aqueles mais velhos que ACJ os tem aos montões.
O que se passa, actualmente, no partido dos “maninhos” é uma espécie do redobrar da vigilância para que forças estranhas “não façam estragos”, influenciando a tendência de voto dos delegados. Antes, essa vigilância é recomendada também nas conferências provinciais que elegem os delegados ao congresso.
Apoiantes de ACJ não têm dúvidas de que uma iminente entrada na corrida de Isaías Samakuva ou alguém aliado deste implicaria interferências de mãos invisíveis, provavelmente ligadas ao poder político e, por isso, hostis ao actual presidente.
O famigerado “combate até à exaustão” de que alegadamente tem sido vítima ACJ, faz com que tal desconfiança prevaleça. Os anúncios que foram feitos sobre a amizade existente entre Samakuva e João Lourenço que datam desde a infância, parecem difíceis de digerir no “galinheiro”.
Uma personalidade menos referenciada nessa onda de candidaturas é do actual Secretário-Geral, Daniel Álvaro Chikwamanga, que só não aparece por ser aliado de ACJ, por isso, sem argumentos para enfrentá-lo.











