Presidente dos Emirados Árabes Unidos injecta mais de 6 biliões de dólares na economia angolana
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, não poupou palavras para valorizar os mais de 40 acordos firmados com o seu homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Sheik Mohamed Bin-Zayed Al Nahyan, tendentes a aprimorar as relações entre ambos os países.
Além de outros benefícios, os acordos firmados terão “um indiscutível impacto na criação de milhares de postos de trabalho que vão absorver essencialmente jovens com diferentes níveis de qualificação”.
Por: Lito Dias
No quadro da primeira Visita de Estado que realiza a Angola, país, o presidente dos Emirados Árabes Unidos veio consolidar uma relação de amizade e de cooperação de longa data, assente nos contactos aos mais variados níveis que se foram estabelecendo "com muitos e apreciáveis resultados e que passarão a ter, a partir de hoje, um suporte mais formal e mais institucional, em virtude dos 44 instrumentos jurídicos" que foram firmados.
"Já temos no mercado angolano uma presença apreciável de empresas do vosso país, que, pelas suas reconhecidas competências, têm tido aqui um desempenho que importa realçar, pelo contributo que prestam na diversificação e desenvolvimento da economia nacional angolana", referiu o Chefe de Estado Angolano.
Os acordos celebrados, disse, terão o propósito de criar um quadro mais abrangente de intercâmbio entre os dois países ao nível institucional, comercial, político e cultural mais propenso ao fomento de sinergias, sobretudo em áreas-chave como as energias renováveis, a logística portuária e aeroportuária, o sector mineiro, a agricultura e o agronegócio, de entre outros, representando uma injecção total de capital na ordem dos 6,5 biliões de dólares na economia angolana, com um indiscutível impacto na criação de milhares de postos de trabalho, em que procuraremos essencialmente absorver pessoal jovem com diferentes níveis de qualificação.
"Esta perspectiva não se restringe apenas a Angola, pois o vosso país emergiu como um dos investidores estrangeiros mais importantes em África, ocupando um lugar de destaque como parceiro para o desenvolvimento, com um volume de engajamento financeiro superior a 100 biliões de dólares desde 2019 até ao presente momento", disse João Lourenço a Sua Alteza Sheik Mohamed Bin-Zayed Al Nahyan, salientando que esta constatação dá uma inequívoca consistência à aposta que se está a fazer na relação de cooperação que "pretendemos intensificar com o vosso país e na atracção de investimentos do sector empresarial na economia de Angola".
Angola pretende aprofundar uma parceria da qual se pretende que todos saiam a ganhar, tendo a firme convicção de que o balanço da actuação comum que se vier a fazer daqui a algum tempo, apresentará resultados encorajadores e positivos para os empreendedores angolanos e os dos Emirados Árabes Unidos que forem audaciosos e acreditarem na força da interacção como factor impulsionador da concretização da sua visão sobre o futuro dos negócios entre as nossas duas Nações.
"Está no centro das nossas preocupações a resolução dos problemas que decorrem da pobreza que ainda afecta segmentos consideráveis da sociedade angolana", especificou, considerando que é sempre em busca de respostas urgentes e duradouras para estas questões que nos desdobramos de forma incessante em contactos com os nossos parceiros de cooperação internacional, no sentido de absorver experiências, conhecimento e recursos destinados a aplicá-los com a finalidade de alcançarmos os bons resultados que almejamos, tendo sempre em conta que, para esse efeito, "é necessário tempo, perserverança, paciência, colaboração e solidariedade entre todas as forças vivas da Nação, tal como ocorre no vosso país, onde os sucessos que vêm alcançando decorrem muito da conjunção dos factores que antes referenciei".
Reforçou a importância inquestionável das infra-estruturas no contexto dos esforços de desenvolvimento que os países africanos procuram levar a efeito, quer individual como colectivamente e, por isso mesmo, em concordância com essa evidência, a União Africana realizará em Luanda, no mês de Outubro, a “III Cimeira de Luanda sobre o Financiamento do Desenvolvimento de Infra-estruturas em África”, para a qual convido o vosso país e as vossas empresas a participarem, a fim de tomarem contacto com as múltiplas oportunidades que serão colocadas a discussão em termos de realização de projectos estruturantes, para cuja concretização contamos com os recursos técnicos, tecnológicos e financeiros dos nossos parceiros".
A crise de segurança que o mundo vive foi referenciada pelo presidente angolano, tendo em conta a violência e os riscos que encerram de poderem vir a escalar, na óptica de João Lourenço, para uma conflagração de proporções globais.
"Na Europa, a Guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e o quase eterno conflito que se desenrola no Médio Oriente, onde já não é admissível que se tolere a violência do genocídio que é praticado na Faixa de Gaza contra o povo palestino, que tendo o legítimo direito a um Estado Independente e Soberano à luz das pertinentes resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, corre hoje o risco de ser expulso do solo sagrado de seus ancestrais para um êxodo sem retorno, perante uma grande passividade da comunidade internacional", criticou, acrescentando que não se pode continuar a permitir que isso ocorra, sob pena de nos tornarmos cúmplices de uma das maiores tragédias humanas do nosso planeta.
Do mesmo modo, considera que não se pode ficar indiferente a outras situações com contornos semelhantes que se registam em África, muito especialmente na região do Sahel, no Leste da RDC e no Sudão, onde se agrava de forma alarmante a situação humanitária das populações que se vêm a braços com um conflito a precisar de uma atenção urgente e de uma abordagem imparcial da comunidade internacional, que, em articulação com a União Africana, deve encontrar soluções que levem ao fim definitivo desses conflitos.











