Fagulha no ´galinheiro´: Barões da UNITA dizem "não" à candidatura de filho de Savimbi
A UNITA reeditou a atitude demonstrada no congresso de 2021, onde antes dos candidatos à presidência do partido perfilarem, já circulava um manifesto de apoio a um concorrente, no caso Adalberto Costa Júnior. Tal manifesto reapareceu em 2025 que, como aconteceu em 2021, foi assinado pela maioria dos chamados "barões" do partido.
Por: Mara Márcia
Na véspera do lançamento da sua candidatura Rafael Massanga Savimbi viu os nomes dos dirigentes do partido que "topam", o seu projecto e viu também alguns nomes, muitos deles já conhecidos que apoiam ACJ. Outros foram surgindo aleatoriamente, como se um acerto prévio tivesse lugar, em troca de qualquer coisa.
Houve muita pressa na apresentação do manifesto, numa altura em que se esperava que tudo seguiria os seus passos e nada fora de época.
O manifesto não diz taxativamente o que os subscritores pensam sobre a candidatura do descendente do líder fundador, mas, contrariamente, dizem apoiar os seus ideais.
"Nós, subscritores deste manifesto, inspirados pelo pensamento mestre do Dr. Savimbi, traduzido no Projecto de Muangai, e unidos pelo ideal de mudança e pela convicção de que Angola necessita um novo rumo, declaramos o nosso apoio firme, determinado e comprometido à recandidatura de Adalberto Costa Júnior ao cargo de Presidente da UNITA", lê-se no documento.
O grupo de apoiantes de ACJ em que figuram nomes como de Lukamba Gato, Kamalata Numa, os veteranos Samuel Chiwale, Vituzi Lumay, Ernesto Mulato, Isalina Kawina, João Vayekeni, inclusive jovens da actualidade como Liberty Chiyaka, Nelito Ekuikui, Adriano Sapinala, Navita Ngolo, Mihaela Webba, surge para dizer a Rafael Massanga Savimbi que ACJ goza de muita simpatia do topo à base, e pretendem "travar" qualquer militante que queira concorrer com o presidente cessante.
Adalberto Costa Júnior, dizem os seus apoiantes, é hoje um activo nacional, um símbolo de esperança e de mudança, que transcende as fronteiras partidárias.
Acrescentam que a sua reeleição à frente da UNITA não é apenas uma decisão interna; é um imperativo nacional.
É o passo que garante que a UNITA, fortalecida e unida, continuará a dar corpo e força à esperança, à voz dos sem voz, e servir de instrumento congregador através do qual os angolanos de todos os matizes podem resgatar a sua dignidade e construir um futuro de prosperidade.
Congregador?
Por pouco virou tradição surgirem neste partido, depois do congresso, algumas quezílias que levaram a ter, no seu seio, pequenos grupos que foram alvos de medidas disciplinares, que se repercutiram em suspensões e expulsões.
Na versão "recandidatura", terá Adalberto Costa Júnior, veia congregadora? Com que fórmulas, se os militantes que foram sancionados foram considerados "samakuvistas e vendidos"?
O jovem político, tenha a safra quem vier a ter, a sua candidatura será um acto de muita coragem, pois espera atravessar arremessos de todos lados, até mesmo daqueles que promoveram romagens em homenagem a Jonas Savimbi dia e o crucificavam de noite.











