Documentos que comprometiam "Kopelipa" e "Dino" nos crimes de peculato roubado por hackers, generais podem 'considerar-se' 'livres', 'leves' e 'soltos'
O Ministério Público (MP) afirmou não ter conseguido encontrar provas documentais que comprovem o envolvimento do general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” nos crimes de peculato e outros ilícitos, devido ao desaparecimento de documentos em várias instituições públicas, supostamente após ataques informáticos ocorridos ao longo dos anos, escreve o Novo Jornal Online.
De acordo com informações apuradas pelo jornal, o MP referiu que esses ataques cibernéticos comprometeram a conservação de dados que poderiam incriminar o arguido, sobretudo no que diz respeito à apropriação de valores e bens entregues pelo Estado.
As declarações foram prestadas nesta segunda-feira, 13 de outubro, durante as alegações finais do julgamento mediático dos generais Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino” e Kopelipa, pelo procurador Lucas Ramos, representante do Ministério Público.
O magistrado explicou que vários documentos que poderiam comprovar a participação dos arguidos em diferentes crimes não foram localizados, alegando que diversas instituições que detinham esses registos sofreram ataques informáticos, o que resultou na eliminação de potenciais provas.
Um ataque cibernético consiste em qualquer ação deliberada destinada a roubar, expor, alterar ou destruir dados e sistemas digitais, através de acesso não autorizado a redes ou dispositivos.
Durante as alegações, que duraram cerca de três horas, o procurador não especificou quais instituições foram afetadas, nem confirmou se os ataques atingiram órgãos como o extinto Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), a CIF-Angola ou a própria Procuradoria-Geral da República (PGR).
O MP referiu ainda não existirem provas documentais que confirmem investimentos financeiros de empresas chinesas equivalentes aos efetuados pelo Governo Angolano na construção da Urbanização Vida Pacífica.
Apesar de a acusação mencionar o desvio de vários carregamentos de petróleo destinados à China e vendidos pela Sonangol, avaliados em mais de quatro mil milhões de dólares, o MP reconheceu não haver qualquer registo ou documento que comprove que tais valores tenham sido recebidos pelos generais Kopelipa e Dino, ou retornados ao Estado angolano.
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