Mérito ou gesto de perdão? – Presidente da República “corrige o erro” e vai condecorar “os pais da independência”
Os signatários dos acordos de Alvor nomeadamente Agostinho Neto (MPLA), Holden Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA), foram finalmente tidos e achados no processo de condecoração em curso, no âmbito dos 50 anos da independência, anunciou esta quarta-feira, na Assembleia Nacional, o Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação.
Por: Lito Dias
No seu discurso de mais de três horas, o Chefe de Estado fez saber que é “um indelével contributo à reconciliação nacional. É também um gesto de perdão.
Focou a última parte do seu discurso para as questões de reconciliação e perdão, sublinhando os 50 anos de independência não são apenas um número, mas sim, sinónimo de paz e eternizar “o nosso passado glorioso”, sinónimo de que Angola, unida, vai vencer.
Na Assembleia Nacional, o assunto das condecorações foi amplamente discutido, em Fevereiro último, mas mereceu o “não do MPLA, para quem Angola “só tinha um pai”: António Agostinho Neto.
Mas o chefe de Estado considerou que Angola é um país que também aprende com os seus erros, e celebra as suas conquistas.
A decisão de João Lourenço constitui um feito indelével na maneira de pensar e estudar a independência de Angola que, durante 50 anos, pelo menos oficialmente, declinou os outros signatários dos acordos de Alvor, considerados “sanguinários e canibais”, deixando a ideia de que Agostinho Neto é o único que preenchia os requisitos de líder da independência de Angola.
Depois do MPLA fazer valer a sua tese de que Agostinho Neto era o único que tem o estatuto de herói nacional, várias vozes se levantaram a condenar a exclusão de Holden Roberto e Jonas Savimbi no rol de condecorações, por serem os três que assinaram o Acordo de Alvor, que consagrou a independência de Angola.
A mais vigorosa das recções, diga-se, foi da Igreja católica que, de forma reiterada, foi pedindo que se revisse a lei; para além de partidos políticos na oposição.
Reagindo ao anúncio, o Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, disse que o processo sobre a necessidade de condecoração dessas três figuras “foi longo e desnecessário”, mas negou que este volte-face tenha acontecido em nome do perdão.
Para o político, faz sentido que as três figuras sejam condecoradas por mérito e não por perdão.
“Aqueles que lutaram fizeram-no por voluntarismo” e se tornaram figuras nacionais.
Alguns analistas previam um volte-face nas comemorações do 11 de Novembro e não propriamente durante do discurso sobre o Estado da Nação, nesta quarta-feira.
Nessa jogada toda, a medida tocou mais a nação que a maioria dos dados apresentados no discurso.











