Vai dar manifestação - Instituto de Segurança Social das FAA acusado de “travar” pensão de viúvas e órfãos
Cresce o número de famílias que reclama das suas pensões junto do Instituto de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (ISS/FAA), cujo pagamento foi suspenso sem explicações plausíveis, depois da prova de vida ou por alegadamente não se ter suprido todas as exigências.
Por: Lito Dias
“Viúvas e tutoras abandonadas ate quando?”; “Renda vencida”; Filhos com fome”, “Olha por nós”; “04 meses sem pensão é muito”; “Nossos filhos estão fora do sistema de ensino”; “A fome não espera, queremos o que é nosso por direito”; “Retroactivo, já!”, essas são algumas expressões que aparecem estampadas nos panfletos que as viúvas carregam defronte a sede do edifício do ISS/FAA, como forma de exigir a regularização das suas pensões.
Para muitas, o processo estava bem encaminhado até à realização das provas de vida, onde houve inovações nos documentos necessários para que se regularize a situação. Com o excesso de burocracia que grassa o país, por vezes, tratar um documento leva o muito tempo.
Acontece que quando são apresentados os documentos em falta, tudo parece estar resolvido, mas no final do mês a pensão não é processada, passando para a fase de reclamações, cujo atendimento leva meses. Para quem tiver “sorte”, dizem as viúvas, no mês a seguir ao da reclamação, a “pensão cai”, mas, para outras, com o mesmo tipo de reclamação chegam mesmo ao quarto mês.
Nessas condições, o ISS/FAA promete dar os retroactivos de 04 meses, mas não o faz, instalando-se o desespero daquelas senhoras que, durante meses, estiveram num vai-e-vem rodoviário para poderem ter a pensão em dia e, com ela, resolverem inúmeros problemas. “A escola das crianças é que mais me preocupa”, exemplificou Aldina Francisco, que teve de pedir dinheiro para se movimentar, pelo menos, uma dezena de vezes ao ISS/FAA.
“Passei três meses sem pensão, mas em Setembro quando faria quatro, acabaram por pagar um mês, um valor insignificante que nem deu para pagar as dívidas e nem fazer a matrícula ou confirmação dos menores”, queixou-se, acrescentando que o ISS/FAA, prometeu pagar os três meses em atraso, mas não cumpriu e nem as duas primeiras parcelas do décimo terceiro deu.
Pior ainda, refere Gorgina Mutango, o Instituto não paga e não dá explicação nenhuma. “Só diz que já mandaram os documentos para o Ministério das Finanças, e este manda-nos sempre ir reclamar no ISS-FAA, “porque o problema está lá e não nas finanças públicas”.
Enquanto isso, uma boa parte dos reclamantes diz que foram retirados do sistema pelo simples facto de atrasarem fazer a prova de vida. “Eles levam dois a três meses para emitir o assento militar e quando se leva o documento para junta-lo a outros, surge o anúncio de que o pensionista já não consta do sistema”, revelaram, sugerindo que o ISS/FAA arranje um mecanismo de tratar o assento militar em pouco tempo, porque os pensionistas realizam as suas provas de vida no mês no seu nascimento, mas se para tratar um documento, levam-se meses, problemas de género vão prevalecer.
Caso esses problemas prevalecerem, elas não põem de parte a hipótese de desencadear uma série de manifestações defronte às diferentes sedes do ISS/FAA espalhadas pelo país.











