Entre apropriação e reordenamento - Proprietária da Feira da Liberdade acusa Administração do Kilamba Kiaxi de se apropriar do espaço
Os vendedores do mercado da Feira da Liberdade, localizado na zona da Vila Estoril, bairro Golfe II, município do Kilamba Kiaxi, acusam a administradora local, Naulila André, de pretender encerrar o espaço, existente há mais de cinco anos, com mais de 30 colaboradores em diversas áreas, nomeadamente administrativa, fiscalização, limpeza e segurança, após lhe ter sido negada a gestão do mesmo durante a disputa com a proprietária do espaço e fundadora, Cecília Xavier. A administração nega e diz que apenas intensificou acções de reordenamento da actividade comercial e devolver maior mobilidade naquele perímetro.
Por: Kihunga Bessa
Em declarações exclusivas ao Na Mira do Crime, os denunciantes relataram que o mercado foi fundado em 1993 como Mercado da Esteira, que funcionou durante muito tempo.
Segundo uma das vendedeiras e funcionária do referido mercado, que falou sob anonimato, em 2017, com a proibição da venda desordenada, a proprietária do espaço solicitou à então
Administradora, Guilhermina, a criação de um mercado no sentido de combater a venda informal, tendo esta aconselhado a formação de apenas uma feira.
“Depois de ver muita gente a morrer por atropelamento devido às constantes corridas provocadas pelos fiscais, e em função do espaço existente, decidiu ajudar a administração. Contratou alguns homens de corpos avantajados (Caenches), pagando 105 mil kwanzas para remover as vendedeiras e colocá-las no interior do espaço que, hoje, alberga mais de 800 vendedores”, disse.
Acrescentou que, durante este período, mais de três administradores passaram pelo município do Kilamba Kiaxi, todos conheciam o referido mercado e nunca se opuseram à proprietária, uma vez que esta sempre pagou os impostos mensalmente na caixa do CUT.
Salientou que a disputa da gestão do mercado começou com a chegada da actual administradora que, após tomar conhecimento da existência do espaço, convocou a proprietária ao seu gabinete, obrigando-a a abandonar o local, alegando que os mercados são da gestão do Estado.
“A dona Cecília investiu bastante naquele mercado, desde as casas de banho até ao tanque de água, mas a administradora recebeu o espaço forçosamente, retirou todos os funcionários e colocou os seus, gerindo o mercado durante oito meses, período em que arrecadou cerca de 20 milhões de kwanzas em rendas diárias, sendo que o mercado arrecada perto de cinco milhões de kwanzas por semana. Nem sequer pagou os impostos na caixa do CUT, muito menos à proprietária do espaço, o que demonstra vista grossa da administração”, frisou.
De acordo com as denúncias, após oito meses, a proprietária do mercado voltou a apossar-se do mesmo, também de forma forçada, devolvendo os postos de trabalho aos antigos colaboradores, situação que, até ao momento, mantém a disputa com a administradora, que anuncia o encerramento do espaço nos próximos dias.
“A administração está a construir um mercado com pouca capacidade que, em vez de retirar as pessoas que exercem actividades comerciais desordenadas, anuncia o fecho deste mercado que gera emprego para muitas famílias”, afirmou.
As vendedeiras apelam à actual administradora para que não sejam retiradas daquele local, afirmando que só sairão dali “mortas”.
O Na Mira do Crime contactou o director de Comunicação da Administração do Kilamba Kiaxi, José Hel, no sentido de ouvir a versão das acusações que recaem sobre a administradora. Em resposta, foi partilhado um áudio do Director do Desenvolvimento Económico Integrado do Kilamba Kiaxi.
De acordo com o áudio, é refutado o encerramento do mercado, afirmando que a Administração do Kilamba Kiaxi, no âmbito do reordenamento do comércio e tendo em conta a quadra festiva, intensificou acções de reordenamento da actividade comercial e várias campanhas no município, encabeçadas pela administradora, para devolver maior mobilidade naquele perímetro.
Nesta senda, em função dos trabalhos desenvolvidos no município, a Administração do Kilamba Kiaxi notificou, por escrito, a senhora Cecília no sentido de suspender um dos cinco portões de acesso à Feira da Liberdade, por estar a criar constrangimentos à mobilidade naquela zona.
“Encerrou-se o referido portão de modo a eliminar o risco que apresentava aos vendedores, clientes e a todos os que procuram os serviços que a feira oferece”, concluiu.











