10 Meses depois – Recrutas expulsos do SME continuam a aguardar sinal do MININT para sua colocação
Quando pareciam inconformados, os cidadãos recrutados e treinados durante seis meses para o curso básico do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), estão com os nervos à flor da pele e continuam a exigir do Ministro da Interior complacência para que regressem às suas unidades, o que para já, afigura-se uma miragem, quase 10 meses depois.
Por: Lito Dias
Numa carta dirigida a várias instituições do Estado e partidos políticos com assento parlamentar, a que este jornal teve acesso, eles dizem que, até hoje, o ministro não resolveu o problema, enquanto as suas famílias passam fome.
No ano passado, o Ministro do Interior, Manuel Homem, tinha assegurado que o curso seria suspenso para aferir irregularidades no processo, tais como: “indivíduos estrangeiros que frequentavam a formação; pessoal com cadastro criminal e até outros que, eventualmente, tenham falsificado documentos para ingressar no SME”. Os efectivos expulsos dizem que a lista foi compulsada por especialistas que encontraram processos que seguiram as condições exigidas.
Os reclamadores dizem que treinaram durante seis meses, aprenderam várias técnicas militares para fazerem parte do quadro do pessoal do Ministério do Interior. Não põem de parte a hipótese de ter havido irregularidades, mas dizem que a maioria tem os processos em dia e, por isso mesmo, finda a averiguação, deviam ser reenquadrados.
“Nesse grupo há muitos pais de família que estão a ficar frustrados por verem o sonho de ter emprego a cair por terra”, disse Armando, de 31 anos de idade, que confessou a este Jornal que ficou com a impressão de que, com o recrutamento daquele pessoal, gastando rios de dinheiro para o seu treinamento militar, o Estado só quis reforçar o batalhão de marginais.
“Um país que tem 50 anos de independência faz isso com a própria juventude?”, questionou, salientando que uma boa parte do pessoal expulso tem idades compreendidas entre os 19 e os 35 anos de idade.
Com muitas lágrimas nos olhos, um outro jovem de 29 anos de idade e casado diz estar entre a espada e a parede, com a desestruturação da sua família ser o único sinal que vislumbra.











