ELISAL e Comissão Sindical de costas viradas - Greve de 20 dias pode arrancar esta sexta-feira deixando de fora serviços mínimos
Mantém-se o braço de ferro entre a ELISAL E.P. e a Comissão Sindical que anunciou uma grave de 20 dias, a partir desta sexta-feira. A Direcção da Empresa já reagiu com ameaças e abertura ao diálogo.
Por: Lito Dias
A Comissão Sindical, através de uma nota, comunicou todos os trabalhadores da empresa que "está decretada a paralisação de todos os serviços", decretando assim a greve a partir desta sexta-feira, 23, com excepção dos serviços mínimos, consubstanciados na disponibilidade de 18 viaturas, sem prejuízo de acréscimo, caso se faça necessário, atendendo o interesse público, para a recolha de resíduos domésticos e hospitalares, serviços respeitantes às casas protocolares e ao centro médico da ELISAL e permissão de viaturas ao aterro sanitário para o depósito dos resíduos sólidos, em um espaço temporal de 30 em 30 minutos por cada viatura.
De acordo com o comunicado do Sindicato, assinado pelo seu primeiro secretário, Agostinho Neto, a paralisação ocorrerá de forma faseada, sendo que a primeira vai de 23 a 1 de Fevereiro, a segunda de 17 de Fevereiro a 26 do mesmo mês. Orienta ainda que os trabalhadores deverão fazer-se presentes nos seus locais de trabalho, mas fora das suas bases de actuação, civilizadamente.
Por sua vez, a Direcção da ELISAL E.P. disse ter tomado conhecimento da deliberação da Comissão Sindical da empresa sobre a realização de uma greve por um período de de 20 dias, sublinhando que a ELISAL é uma casa "construída com esforço diário de cada trabalhador, com sacrifício, dedicação, espírito de missão.
Lembrou que durante o período de análise e discussão, as partes mantiveram um diálogo aberto e construtivo, tendo sido possível alcançar entendimento de vários pontos constantes do caderno reivindicativo, em que se destaca: pagamento total dos subsídios de alimentação, transporte em gozo de férias; reajuste do horário de saída dos serviços de limpeza urbana (varredura); aumento do valor do abono de família.
Sobre as matérias que não registaram consenso, a empresa manifestou "total " disponibilidade para, em articulação com a Comissão Sindical, proceder à realização de estudos conjuntos com vista à apreciação cuidada das propostas e à eventual introdução de melhorias ou ajustes que se mostrem adequados.
Ainda sobre os assuntos não consensuais, a empresa diz que o desentendimento não resulta da falta de vontade ou diálogo entre as partes, mas sim da actual situação económica e financeira da empresa. "A ELISAL não dispõe de receitas suficientes que permitam assumir, com segurança, novos compromissos financeiros, pois, ao acontecer, colocará em risco a sustentabilidade da empresa e a continuidade dos postos de trabalho.
"A negociação não conheceu o seu término, sendo certo que a Direcção da Empresa tem todo o interesse em continuar a analisar e dialogar sobre os pontos do caderno reivindicativo em aberto, com rigor e seriedade que se impõe", refere.
No entanto , se o sindicato avançar com a paralisação, a empresa já sabe o que vai fazer. Ou seja, durante o período da greve, os trabalhadores que aderirem não estarão obrigados às ordens normais do trabalho, assim como a empresa não terá o dever de pagar salários relativos aos dias em que houver adesão à greve, nos termos da lei da greve.
E mais; os dias não trabalhados em virtude da adesão serão descontados do salário, bem como dos subsídios complementares, nomeadamente os de transporte e alimentação, nos termos da mesma lei.











