NOTA POSITIVA DA SEMANA: Antes tarde que nunca - PR usa a caneta para afastar "Grilo" e 'corrigir' o que está mal na educação
A nota positiva desta semana vai para a exoneração da ministra da Educação, Luísa Grilo. A decisão faz sentido, tendo em conta o estado em que o sector se encontra. O Ministério da Educação vinha a degradar-se dia após dia, enquanto os problemas básicos continuavam sem resposta.
Por: NA MIRA DO CRIME
Segundo rumores, a exoneração surge pouco depois de a então ministra ter anunciado, no Dubai, durante a Cimeira Mundial de Governos, que Angola vai começar ainda este ano a usar inteligência artificial nas escolas primárias, através de um projecto piloto em 10 escolas de 10 províncias.
A ministra fazia parte da delegação liderada pelo Presidente da República e explicou que a iniciativa resulta de um protocolo assinado em 2024 com a Escola Digital do Dubai, prevendo uma aprendizagem flexível, ajustada a cada aluno.
Tudo isso soa bonito em discursos internacionais. Mas cá dentro a realidade é outra.
Como falar de inteligência artificial quando ainda há crianças a ter aulas debaixo de árvores e escolas sem água potável.
Como pensar em tecnologia avançada se muitas escolas não têm carteiras, quadros em condições, casas de banho funcionais ou livros suficientes. Como falar de aprendizagem digital quando há zonas sem energia eléctrica e sem acesso à internet. E como exigir resultados quando os professores continuam mal pagos e, em muitos casos, desmotivados.
Como podemos debater Educação se os manuais de instrução para as nossas crianças estão repletos de erros ortográficos, e quando a ministra é questionada por um profissional de comunicação social prefere o destrato do que explicar a Nação os caminhos para solução.
Passados 50 anos de independência e 25 de paz, ainda estamos a discutir o básico. Ainda lutamos por salas de aula dignas, por material escolar, por salários justos para quem ensina. E, de repente, fala-se de inteligência artificial como se o sistema estivesse pronto para isso.
A Educação não pode ser feita de anúncios grandiosos fora do país enquanto, cá dentro, as escolas continuam abandonadas. O futuro de Angola depende da Educação, e essa área não pode ser tratada com ligeireza nem com propaganda.
A exoneração da ministra acaba por ser compreensível. Não por uma questão pessoal, mas porque o sector precisa de pés assentes na terra. Antes da inteligência artificial, é preciso garantir o essencial. Salas, carteiras, livros, professores valorizados e crianças em condições reais de aprender.
Agora espera-se que quem assumir a pasta venha com soluções práticas e não apenas com ideias importadas. A Educação precisa de menos discursos e mais trabalho no terreno. Só assim o país poderá, um dia, falar de inovação com base sólida e não sobre um chão ainda cheio de buracos.











