Esbanjamento de fundos públicos ou poupança individual?
A sociedade angolana está a encarar surpresa e incongruência a atitude do actual presidente da Assembleia Nacional, Fernando Dias dos Santos, ao ter aceitado que a sua filha realizasse uma cerimónia matrimonial luxuosa, jamais vista em Angola, em particular África, no geral. Trata-se de um casamento criticado por toda a sociedade castrense, políticos, jornalistas e até zungueiros.
Todos angolanos podem casar e constituir família, a depender das condições de cada um, sem pôr em causa a sua origem. Só que, no contexto actual, em que as mãos dos angolanos estão estendidas à comunidade internacional, pedindo apoio para resolver os seus problemas, nem todos veem com bons olhos a ostentação de riqueza como aquela que se verificou no casamento da filha do Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos ‘Nandó’.
Uma das vozes que se ouviu a falar bastante sobre o caso é do Gansgta, através do programa realizado pelo Jornalista Miguel Neto com a participação de muitos jovens críticos do regime do MPLA.
Alguns cidadãos ouvidos por este jornal entendem ser normal que gente rica licitamente ostente livremente a sua riqueza. “É assim em toda parte do mundo”, defendem, adiantando que só é desconexo se o dinheiro usado no casamento tenha proveniência duvidosa ou se se provar que tenha provindo do erário público.
Para eles, o facto da festa de casamento ser de filhos de figuras de proas também não “deve ser motivo de muito alarido, porque apesar de serem filhos de quem são, são cidadãos normais”. Dizem mais: nem toda gente rica neste país roubou o dinheiro do Estado.
No entanto, outros cidadãos referem que numa fase como a que o país atravessa, com muitos problemas por resolver, sobretudo no que tange à fome, a pobreza, o desemprego, doenças, milhares de crianças fora do sistema de ensino, ficam sem lógica as constantes apelos ao mundo para ajudar Angola, quando quem os faz ostenta a luxúria.
“Eu vou pedir ajuda para acudir a situação de fome que vivo, em minha casa, quando na rua, em uma sentada compro uma garrafa de whisky ao preço de 4 mil Kwanzas, por exemplo?”, Disse Agostinho Jorge de 28 anos, que não escondeu o seu desapontamento com a atitude de alguns governantes.
Para o jovem, os governantes que deixaram os seus filhos a proceder dessa maneira empobreceram a sua imagem, já que o seu comportamento não compagina com a realidade do país, nem com os discursos que proferem em nome de Angola.
Mas há quem entenda que o facto de os noivos não fazerem parte das lides empresariais angolanas suscita algumas dúvidas sobre a proveniência do dinheiro gasto no seu casamento, tendo questionado, por este facto, se ainda assim alguém terá pena de ajudar Angola.
“Será que Angola precisa mesmo de apoio internacional para combater a fome? Precisamos de empresários estrangeiros para virem a Angola, com esta classe de festas que estamos a dar?”, Questionou, frisando que esse é “o dinheiro público, e se é dinheiro do senhor Nandó, ele é funcionário público, tem que justificar donde tirou esse dinheiro todo para dar esta grandiosa festa".
Salientou o facto da filha do Presidente da Assembleia Nacional ter se casado num meio de castelos, “com flores totalmente importadas, todo cenário importado e, por outro lado, vemos o nosso Presidente da República a falar nas Nações Unidas sobre a fome e a miséria e sobre a ajuda que o ocidente tem que fazer para poder ajudar Angola a sair do buraco negro em que se encontra”.
“Acabo por não entender que, de um lado, temos que sacrificar o povo e, do outro lado, expusemos luxúrias da classe dos nossos governantes em festas privadas como se Angola fosse um país do primeiro mundo”, desabafou.
Agostinho lembra que recentemente, o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, ao intervir no Conselho de Relações Externas, um dois mais importantes centros de estudos em política externa dos Estados Unidos, garantiu que é objectivo do seu Executivo é colocar Angola no mesmo patamar em que se encontram as nações empenhadas "em promover o progresso, o desenvolvimento e o bem-estar dos seus povos, através de boas práticas de governação”.
Sublinhou ainda que algumas das reformas que pretende operar são difíceis, mas necessárias nomeadamente as que visam "reduzir o envolvimento do Estado na economia, aumentar a transparência e diversificar a economia”.
“Estamos conscientes de que os resultados das reformas em curso levarão ainda algum tempo a ser alcançados, mas acreditamos que, com o apoio dos nossos parceiros internacionais, em especial de países como os Estados Unidos, conseguiremos alcançar os objectivos almejados”, robusteceu Lourenço.
Fonte: Jornal Visão











