Autoridades tradicionais acusam Governo de fornecer arroz branco como merenda escolar no Huambo
Autoridades tradicionais e a população em geral denunciaram, na última semana, durante a visita do Secretário Provincial do PRS à aldeia de Ngulawa, comuna da Calima, que várias crianças estudam em péssimas condições e recebem como merenda escolar apenas arroz branco e papa de milho.
Por: Laurentino Tchatuvela
De acordo com o soba da aldeia, Estevão Kahombo, as crianças continuam a estudar debaixo de árvores, situação que precisa ser resolvida com urgência por parte das autoridades governantais, sobretudo quando chove.
A população enfrenta diversos problemas sociais que, segundo o soba, persistem há vários anos sem solução, entre as principais preocupações está a situação da escola local.
O soba explicou que a instituição de ensino ficou sem cobertura após as fortes chuvas acompanhadas de vento registadas em Novembro de 2024, e até o momento não houve reposição das chapas. “Temos alertado a Administração da Calima, mas até agora só recebemos promessas”, afirmou.
Outro problema apontado é a falta de água potável, o chafariz da aldeia encontra-se inoperante há cerca de quatro anos, após ter sido vandalizado.
Conforme explicou o soba, a placa solar foi roubada pouco tempo após a inauguração, havendo suspeitas de envolvimento de técnicos que participaram da montagem do sistema.
Outra questão tem a ver com funcionamento limitado do posto de saúde, onde os enfermeiros trabalham apenas durante o dia. “As doenças não escolhem a hora, precisamos de atendimento também à noite e aos finais de semana”, ressaltou o soba.
A escassez de fertilizantes para a agricultura constitui outra preocupação. O Governo havia prometido a distribuição de adubos que, até agora, não foram entregues.
"Precisamos que o Governo nos forneça sementes diversas a preços acessíveis, para que os camponeses consigam produzir alimentos e sustentar suas famílias.
O director pedagógico da escola reforçou as queixas, apontando que várias delegações governamentais já passaram pela aldeia sem implementar soluções concretas.
Além da cobertura da escola, destacou a falta de carteiras, quadros, livros e merenda escolar adequada.
O secretário provincial do PRS no Huambo Soliya Selende Lumumba registrou as preocupações apresentadas e garantiu que serão encaminhadas ao Governo Provincial.
“Se eles não conhecem o local, vamos mostrar, é gravíssimo que a escola esteja nestas condições há mais de dois anos sem solução”, enfatizou.
O político mostrou-se preocupado também com a vandalização de bens públicos, como o posto de saúde e o chafariz, apelando à comunidade para preservar as infra-estruturas.
“Esses bens são nossos, o governo não pode estar com os olhos apenas numa aldeia, se as chapas que voaram há mais de dois anos ainda não foram repostas, imaginem se destruírem o posto de saúde quando será reconstruído?”, questionou.
Durante a visita, o político valorizou os trabalhos de terraplanagem da estrada Huambo–Ngandavila, considerando que a empresa responsável está a executar correctamente as valas de drenagem e valetas.
A visita faz parte das acções de auscultação às comunidades promovidas pelo PRS na província do Huambo, sob o lema “Paz, Democracia e Progresso”.











