Administrador do Rangel e Delegado Municipal da Educação acusados de colocar mais de 10 famílias que viviam nas escolas públicas ao relento
Mais de 10 famílias que viviam nas instalações públicas (escolas), de forma provisória, encontram-se ao relento depois de terem sido despejadas no dia 20 de Fevereiro de 2026, e acusam o administrador municipal do Rangel, Lourenço Luís Domingos, e José Filho Kitumba, delegado municipal da Educação, de serem os principais responsáveis da referida acção e clamam a intervenção dos órgãos competentes.
Por: Kihunga Bessa
Aída Cassua, de 42 anos, moradora da Escola 17 há mais de duas décadas, falando ao jornal Na Mira do Crime, relatou que, na altura, não entraram nas casas de forma voluntária, mas que foram colocados pelo Estado para controlar as instituições públicas.
Continuou dizendo que, em 2012, o então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ordenou que todos aqueles que viviam nas instalações públicas fossem retirados.
"Quando o Presidente ordenou isso, recebemos uma equipa de gestão do Governo Provincial de Luanda, que procedeu ao cadastramento para o realojamento dessas famílias, às quais haviam sido prometidas residências no Zango. Inclusive, algumas foram até ao local e viram as casas, mas, na hora da distribuição, apenas três famílias beneficiaram, e as outras ficaram na lista de espera até à presente data", disse.
Quem também manifestou o descontentamento por ter sido despejada foi a senhora Moisés Cafala, que residia no Magistério Primário, localizado na zona da Vila Alice, desde 1992. Explicou que não ficou aí por vontade própria, mas por uma missão de patriotismo.
"Na altura, fomos procurados para assegurar as escolas, e pouca gente aceitava. Já que acham que temos de sair, arranjem sítios para nos colocarem; nós estamos dispostos a sair. Se não tivessem desviado as nossas casas, jamais estaríamos cá", lamentou.
Por sua vez, o Delegado Municipal da Educação do Rangel, José Filho Kitumba, informou que as negociações entre as partes são antigas, desde 2012, e que aviso não lhes faltou, mas, infelizmente, estes não queriam abandonar os locais.
"Estamos a falar de pessoas ligadas ao Ministério da Educação e com bom salário, vivendo há mais de três décadas nas instituições públicas, esperando que o Estado lhes dê casas", avançou.
Acrescentou que muitos destes, inclusive, transformavam as salas de aula em residências, e que as acções de despejo serão contínuas para aqueles que ainda insistem em viver nas referidas instalações.











