Mais de 100 efectivos da Polícia oriundos das FAA denunciam atraso salarial superior a um ano e pedem intervenção das autoridades competentes
Mais de 100 efectivos da Polícia Nacional, provenientes das Forças Armadas Angolanas (FAA), pertencentes ao 21.º curso básico de Polícia, denunciam estar há aproximadamente um ano e dois meses sem auferir os seus salários, situação que, tem causado graves dificuldades financeiras no sustento das suas famílias.
Por: Laurentino Tchatuvela
De acordo com a denúncia apresentada ao Na Mira do Crime, por um efectivo que preferiu o anonimato, foram colocados em diferentes províncias do país, longe do convívio familiar, enfrentando sérias carências económicas.
“Estamos há um ano e dois meses sem salário, colocados em províncias distantes das nossas famílias, e a passar por muitas dificuldades financeiras”, referiu.
O denunciante explicou que a situação tem afectado directamente os seus agregados familiares, que permanecem nas suas províncias de origem.
“As nossas famílias estão a sofrer, temos rendas por pagar, e há crianças que deixaram de estudar por falta de condições”, explicou, acrescentando que
nos comandos provinciais onde foram colocados não têm recebido esclarecimentos concretos sobre a regularização da situação salarial.
“Nos comandos dizem apenas para aguardarmos, alegando que o assunto depende de Luanda, concretamente do Comando-Geral, mas até agora não há qualquer pronunciamento”, sublinhou.
Recordou ainda que muitos deles contam com cerca de 10 anos de serviço nas FAA, questionando a falta de atenção por parte das entidades superiores da corporação.
“Depois de 10 anos de serviço nas Forças Armadas angolanas, perguntamos se os responsáveis, como o ministro do Interior e o comandante-geral da Polícia Nacional, não olham para a nossa situação”, frisou.
Apesar das dificuldades, o agente garante que continuam a cumprir com as suas obrigações profissionais diariamente. “Mesmo sem salário, continuamos a acordar cedo e a cumprir as nossas missões ao serviço da Polícia Nacional”, realçou.
O denunciante destaca ainda o agravamento das condições de vida, tendo em conta o custo actual de vida no país. “A vida já é difícil com salário, imagina trabalhar numa província estranha, sem família e sem qualquer remuneração, vivemos de quê?”, questionou.
Por fim, apelou à intervenção urgente das autoridades competentes para a resolução da situação. "Como fomos colocados na província do Huambo e estamos a prestar serviço em
algumas residências, é onde, em certos casos, recebemos algum apoio e outro proveniente de familiares em Luanda", disse.
"Neste momento, o comandante da Polícia no Huambo apoiou-nos com alguns kg de arroz e de feijão e disse-nos que, tendo em conta a nossa situação, devemos apenas apresentar-nos todas as manhãs no comando, regressando depois para casa", precisou.
Trata-se de efectivos distribuídos pelas províncias do Huambo, Benguela, Cuanza-Sul e Huíla, que precisam de uma solução urgente para esta situação, que está a afectar várias famílias, concluiu o queixoso.
O Na Mira do Crime contactou a direção de comunicação da Polícia Nacional do Comando Geral, mas sem sucesso.











