Julgamento dos russos - Tribunal indefere comparência de Adalberto Costa Júnior, Higino Carneiro, Lucamba "Gato" e Dino Matross para prestarem declarações
O Ministério Público indeferiu, na amanhã desta terça-feira, 14, no Tribunal Dona Ana Joaquina, o pedido de comparência para declarações diante do tribunal, feito pelos advogados de defesa dos dois cidadãos de nacionalidade russa, Igor Rochin Mihailovich e Lev Matvevoch, assim como de dois cidadãos angolanos: Amós Carlos Tomé, jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA) e Oliveira Francisco "Buka", ex- Secretário para mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA, acusados de crimes de terrorismo, espionagem e associação criminosa.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
A sessão decorreu em fase de respostas às questões prévias apresentadas pelos advogados de defesa, na audiência anterior que solicitaram junto do Tribunal a presença como declarantes do processo, figuras como Adalberto Costa Júnior, General Higino Lopes Carneiro, Armando Lucas Lucamba, Julião Mateus Paulo, Deputado Nelito Ekwikwi, António Venâncio, Francisco Paciência (da ANATA), Francisco Eduardo (da ATA), Superintendente de investigação criminal, Manuel Cardoso, e de Rodrigo Catumba, (vice presidente da ANATA).
O Juiz principal, Gerson Damião, defendeu ser impertinente a presença das figuras solicitadas.
"Considera-se impertinente o pedidos de presença dos referidos cidadãos diante do presente processo, não há razões para inclusão", defendeu.
David Guz, advogado de defesa dos cidadãos Amós Carlos Tomé e Oliveira Francisco "Buka", disse ter encarado normal a decisão tomada pelo Ministério Público diante do Tribunal, por ter sido a referida entidade judicial junto do Tribunal que formulou a acusação.
"Existem duas partes fundamentais neste processo, que são a defesa dos dois cidadãos russos e a outra que é a defesa dos cidadãos nacionais. Foi requerida a audiência destas figuras proeminentes da esfera política para o esclarecimento de determinados dados dentro do processo, porque durante a fase de instrução preparatória os seus nomes apareceram em declarações e, entende-se, segundo a Lei, que quando alguém é citado durante a fase preparatória deve ser chamado para que se consigam os esclarecimentos da verdade", defendeu o advogado.
A sessão foi suspensa e marcada para quarta -feira, 15, às 9 horas para a fase de interrogatório.
De lembrar que os cidadãos russos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov foram detidos em Luanda, em Agosto de 2024, acusados pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) de associação criminosa, financiamento ao terrorismo, espionagem e tráfico de influência. A investigação aponta ligação à rede "Africa Politology", acusada de orquestrar desinformação e protestos para desestabilizar o país e interferir nas eleições presidenciais de 2027.











