Deputado da Unita 'repudia' Presidente da República
O deputado pela Bancada Parlamentar da UNITA fez esse repúdio reagindo a manifestação convocada por algumas figuras públicas angolanas descontentes com a actual situação social e económica do País.
Na sua visão, o chefe de Estado reagiu mal a esta manifestação convocada por via das redes sociais, por personalidades devidamente identificadas, e que deram provas ao longo da história deste país, que sempre tiveram voz autorizada para falar do país.
“Não posso aceitar que o presidente da República vá a um congresso da ala juvenil do seu partido e dirija-se naqueles termos. Quando existe uma manifestação ou reivindicação porque há direitos a serem violados e o chefe de estado é o garante da unidade e estabilidade do país”.
Se as pessoas fazem uma reclamação no âmbito da estabilidade económica, acrescenta o deputado, o Presidente da República deveria trazer soluções concretas e mostrar o caminho a seguir.
“Infelizmente, o senhor presidente optou pelo contrário. Não justificou, não disse nada e quer vitimizar-se. Acusa membros do seu partido de estarem por trás disso. E vai mais longe acusando personalidades devidamente identificadas de terem recebido dinheiro para realizar essa manifestação”, denuncia.
Promotores
Em relação aos promotores da manifestação, Nelito Ekuikui questiona quem foram os seu promotores, embora aponta alguns nomes que surgiram nas redes sociais a incentivar tal acto.
“Vimos que o Paulo Flores deu a cara. Paulo Flores sempre contestou e sempre escreveu música revolucionária. Ou o senhor presidente não tem as letras da música de Paulo Flores? Portanto, Paulo Flores sempre manifestou a sua indignação em relação aos destinos do país. Não é novo e não será hoje que o Paulo Flores vai deixar corromper-se por A ou por B”.
Segundo o jovem deputado, Dog Murras, inclusive teve que sair de Angola. “Ou o senhor presidente não sabe? Voltou agora e continua a fazer o que ele sempre fez”.
“Puto Prata, por seu turno, diz que foi do MPLA mas hoje não se revê e está a combater isso é normal e é liberdade. Agora, se existe um ou mais grupos, o principal papel do Presidente é unir o seu partido”, sustenta para depois dizer que, ao dizer o que disse, João Lourenço está a mostrar fragilidades e que não é um líder que une.
Um presidente que insulta os outros
Manuel Ekuikui disse mesmo que o Presidente da República semeia a divisão no país, o que não é bom para um líder que se preze.
“Primeiro vem com o discurso de marimbondos, dizendo que os marimbondos são do MPLA. Está a dividir o MPLA. Está a excluir uma ala do MPLA de onde ele faz parte. Depois diz que são avarentos. Então é só mesmo assim, você vem insulta os outros só porque é presidente?”, questiona, sublinhando que um presidente deve ser o garante da unidade.
“Não pode insultar nem excluir ninguém, não é assim. Principalmente porque jurou respeitar a constituição. Jurou unir o país e garantir a unidade nacional. Então, está a violar o juramento dele. Porque independentemente das fragilidades deste ou daquele grupo, são todos angolanos e temos que dialogar”.
Por outro lado, na sua perspectiva, as políticas de combate a corrupção do executivo fracassaram. “Por isso é que o presidente está nervoso”.
“Vejamos: tú não podes tomar medidas que visam agradar organizações externas enquanto o teu povo está a morrer de fome e prejudicando o teu povo”.
Se por um lado, rebate Ekuikui, o Presidente está a tomar estas medidas, ele tem que aceitar que está a perder popularidade, credibilidade e que perdeu o apoio do povo.
“O povo já não lhe quer e não o apoia. Ele tem que aceitar esse lado da moeda porque é mesmo assim na política. E ele deve consentir esses riscos com naturalidade. Não deve ir a um comité central atirar-se contra figuras angolanas que contestam o seu governo”.











