Tribunal coloca em liberdade activistas que protestaram contra Tomás Bica
Os 11 Activistas detidos na passada Sexta-feira, 8 quando manifestavam-se em frente a Administração Municipal do Cazenga contra a “vandalização de um mural da cidadania” da autoria dos mesmos que retracta algumas figuras da sociedade civil pelos efeitos na luta pelos direitos humanos, foram ontem colocados em Liberdade.
A sessão plenária que estava prevista para as 09h no Tribunal Dona Ana Joaquina, terá começado poucos antes das 14h e durou mais de 8 horas.
Segundo o Advogado da defesa, os Activistas estavam sendo acusados de vários crimes que terminaram apenas em um, crime de danos.
“Não houve elementos suficientes para a condenação dos activistas”, diz o Advogado Zola Bambi.
Foram arrolados ao processo mais de quatro declarantes, apenas compareceram dois, o Comandante da 12° esquadra e um funcionário da Administração da área de informática.
A decisão do Tribunal não agradou a equipa do Advogado da defesa e promete recorrer da decisão.
” Não estamos satisfeitos com a decisão. Porque desse processo não havendo elementos de prova, os jovens deveriam ser absolvidos”, disse Zola Bambi acrescentando que “se os activistas estão sendo julgados, acusados de danos sobre um portão que dizem ter caído de um armário e cadeirão que terão destruído, porquê não colocam a disposição as provas desses meios”? questiona.

Para terminar, Zola Bambi diz que enquanto o Tribunal não colocar a disposição essas provas, é impossível condenar os activistas nesses termos.
“Recorremos ao recurso porque achamos que a decisão do tribunal é injusta e que nos prazos daremos entrada ao Tribunal Supremo”.
SENTENÇA:
Os réus foram condenados a 4 meses de prisão (convertidas em multa de 50kz/dia) e um mês de multa a razão de 50kz/dia. 40.000 mil kwanzas da taxa de justiça e 52 mil solidário para a reparação dos danos, a pagar dentro de 15 dias.
REAÇÕES DOS RÉUS
Donito Carlos, um dos réus ao processo disse ao fim da sessão que o juíz foi razoável, mas ficou triste porque a decisão do juíz apenas beneficiou os declarantes.
“Do ponto de vista real, os declarantes mentiram. Nós não destruímos nenhum bem na Administração. Apenas entramos na Administração para conversar com o Tomás Bica, porque os jovens da CNJ nos garantiram que ele estava na Administração e só por isso entramos para falar com ele”, disse o Activista que lamentou a atitude que os declarantes tiveram em não dizerem a verdade.
Já o Utukidi Scott, também um dos réus no processo, disse que não esperava ser absolvido, por conhecer como o sistema de justiça funciona no país.
“Não esperava uma decisão diferente dessa, pois maior parte dessas situações as sentenças são encomendadas”.
Utukidi que é licenciado em Ciências Políticas, diz ainda que nem por isso irão se desmarcar dos compromisso que têm com o país.
O activista, denuncia também maus tratos que ele e os seus companheiros sofreram durante o tempo que estiveram detidos.
“Sofremos muitas agressões físicas e psicológicas, iremos apresentar muito breve um relatório onde iremos explicar minuciosamente o que vivemos nas celas”, disse o activista.
C/R.Angola











