Oficiais Generais na reforma ameaçam marchar nu até ao Palácio Presidencial
Mais de 300 ex-militares inscritos na Associação dos Oficiais Generais, Superiores, Capitães Subalternos na Reforma em Angola, estiveram reunidos ontem, quinta-feira, 21, na Feira de Luanda, para mostrar o seu descontentamento com o não pagamento da dívida de mais de 130 mil milhões de kwanzas, contraída pelo Estado angolano.
Por: Belchior Resende
José Alberto Nelson Limuqueno, Presidente da Associação dos Oficiais Generais, Superiores, Capitães Subalternos na Reforma em Angola, pediu a intervenção do Presidente da República, para acudir a situação de penúria em que as famílias dos reformados estão submetidas.
“Em 2009 assinamos documentos que garantiam que os dinheiros seriam pagos em 2015, até hoje nem água vai nem água vem, estão sempre com a mentira de Covid-19, mas o que nós temos a ver com isso?”, questionou.
“O Executivo tem que liquidar a dívida de mais de 130 mil milhões que tem connosco, fruto dos cortes nas nossas pensões de reforma e subsídios, por causa da falta do nosso dinheiro estamos a viver mal”.
De acordo com o brigadeiro na reforma, os oficiais estão em situação de vulnerabilidade, e muitos recorrem aos contentores para se alimentarem.
“A pobreza está a tomar contornos perigosos, nós somos analfabetos, não sabemos ler nem escrever, por causa da guerra, hoje em dia não temos dinheiro para pagar propinas para os nossos filhos, há colegas que estão a comer nos contentores de lixo”, lamentou.
Ex-militares prometem marchar sem roupa
“Pedimos encarecidamente ao Presidente João Lourenço, Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas, que ordene o Executivo a pagar o nosso dinheiro, de acordo a patente de cada um, porque se esse mês de Janeiro terminar sem pagarem o nosso dinheiro, estou a garantir agora que dia 20 e 21 de Fevereiro podem contar connosco no Palácio Presidencial, vamos marchar nu até ao Palácio”, avisou.
Viúvas dizem viver em condições de penúria
Isabel Luís falou em nome das viúvas, e fez saber que os filhos dos ex-militares que já não fazem parte do mundo dos vivos, vivem de esmolas, e alguns são obrigados a vender plástico para sobreviver.
“Pedimos ao Presidente da República que ordene o pagamento das pensões dos nossos maridos, os nossos filhos estão a passar mal, falo em nome das outras, se não pagarem o dinheiro até ao final deste mês, dia 20 vamos marchar sem roupa até ao Palácio Presidencial”, alertou.
De acordo com os reclamantes, desde 2009 que os seus subsídios foram cortados pela Caixa Social das FAA, ao “arrepio da lei”.
A Caixa de Segurança das Forças Armadas Angolanas – CSS/FAA, é uma instituição pública tutelada pelo Ministério da Defesa Nacional e tem como objectivo social o asseguramento da protecção social dos militares nos termos definidos pelos campos de aplicação pessoal e material, de acordo com o Decreto Lei nº 16/94, de 10 de Agosto, do Conselho de Ministros, diploma que regula o Sistema de Segurança Social das FAA.











