Seca obriga crianças a trabalhos forçados
Nas povoações de Oupiakadi, Oshamola, Hehabo e de Onamuka, na comuna do Evale, no município do Cuanhama, são muitas as crianças qu estão envolvidos na escavação de profundos furos para a descoberta de água e o consequente carregamento.
Indagadas, as crianças manifestaram-se agastadas com a falta de água potável para humanos e animais e, segundo constatou a Angop, os estudos ficam para trás a favor do pasto para a sobrevivência das suas famílias e do próprio gado.
Mateus Muhakenange Nande, 14 anos, explicou que a seca está cada vez mais intensa, daí que na companhia de amigos e familiares dirige-se diariamente na Cacimba do Ipyakadi, na localidade de Lukekete para procurar água no subsolo.
"Antes da seca, eu conseguia manter a minha higiene normal, mas hoje tenho que alternar. Como dificilmente tem para o consumo, então prefiro ficar sem tomar banho, às vezes uma semana", contou Mateus que vive no Evale, município do Cuanhama.
Por seu turno, Eugenia Hihalwa, 10 anos, residente na mesma localidade e compenetrada nos mesmos trabalhos, pede ao governo para acelerar a abertura de novos furos e a reabilitação dos avariados, assim como mais ajuda alimentar.
Sublinhou que, por estarem a consumir água imprópria (das chimpacas), têm enfrentado sérios problemas de saúde, refletidos em doenças como diarreias com sangue, sarna e outras, incluindo constantes vómitos.
A Angop falou com o vice-governador para os Serviços Técnicos e Infraestruturas da província do Cunene, Édio Gentil José, que minimizou o envolvimento de crianças nessas atividades, por fazer parte do modo de vida das aldeias e não se tratar de uma imposição.
No quadro do plano de emergência para acudir à seca na circunscrição, o Governo do Cunene disponibilizou 20 camiões cisternas de 20 mil litros cada, 20 tractores com pipas de água atreladas e 400 reservatórios, colocados em pontos estratégicos das 20 comunas locais.
Entre os vários esforços está igualmente a reabilitar 171 furos de água em todos os municípios e a adquirir bens diversos, com base nos 3.9 mil milhões de kwanzas disponibilizados para o efeito. Em paralelo, tem distribuído produtos alimentares às famílias carenciadas.
Plataforma/Angop











