Armas apresentadas pela Polícia Nacional foram recolhidas em 2014 – Exclusivo com Zeca Mutchima
Ao tentar esclarecer os meandros do massacre de Cafunfo, o Presidente do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, Zeca Mutchima, revelou ao Na Mira do Crime que as armas de fogo e todos objectos contundentes apresentados pela Polícia Nacional, como tendo sido capturados dos manifestantes, já tinham sido apresentados à imprensa em 2014.
Por: Carla Nayara
"E nós temos provas", desafiou. Para Zéca, as afirmações do Comandante Geral da Polícia revelam falta vontade de saber a verdade.
"Ele sai dos gabinetes para o terreno para ouvir só uma parte que, por sua vez, presta declarações infundadas", assinalou augurando que o responsável "tenha coragem de abordar os responsáveis do Movimento do Protectorado para que estes apresentem a versão real do que se passou no Cafunfo.
"Nós nunca usamos armas, desde 2016 as nossas manifestações foram sempre pacíficas, apesar da repreensão da Polícia e das Forças Armadas", asseverou, acrescentando que existem provas de que os acontecimentos de Cafunfo são sequência de actos de prisões, mortes e perseguições aos membros do movimento.
Em seu entender, as acusações que foram feitas visam encobrir o leque de atrocidades cometidas nas zonas diamantíferas.
Sob capa de estar a lidar com um movimento rebelde, o Executivo angolano, disse, está a contradizer—se, já que nunca esteve alheio ao surgimento do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, através de vários documentos apresentados, incluído pedidos de audiência.
"Tanto o ex—presidente, José Eduardo dos Santos como João Lourenço sabem da nossa existência e o que defendemos", referiu.
ESTRANGEIROS NA MANIFESTAÇÃO?
Sobre o dado da Polícia, segundo o qual houve estrangeiros dentro dos manifestantes, Zéca Mutchima assegurou que nunca teve contacto com nenhum responsável rebelde da vizinha República Democrática do Congo, pelo facto da causa da sua organização ser interna.
"Não precisamos de congoleses para nos ajudarem", afirmou. Lembrou que face à vulnerabilidade da fronteira criada pelo governo angolano, e factores sócio— culturais e sobretudo económicos da região, muitos cidadãos nacionais cruzam—se na língua, sendo difícil, em alguns casos, distinguir cidadãos angolanos dos congoleses.
No entanto, no caso vertente, essa confusão não se coloca. "Nós conhecemos todos os nossos membros", enfatizou.
De salientar que, em 2017, aquando do registo eleitoral, muitos cidadãos da RDC foram abrangido passando, antes, pela atribuição do Bilhete de Identidade.
Apesar de as autoridades administrativas terem tentado esconder, o caso veio a ser confirmado pelas autoridades tradicionais e pelos cidadãos congoleses abrangidos, segundo os quais, tinham que se registar para votarem no MPLA e receberem em troca a nacionalidade angolana.
Para os sobas, atribuição do Bilhete de Identidade estava a ser dificultada aos cidadãos nacionais, mas a ser facilitada aos estrangeiros.
A partir dai, o número de cidadãos congoleses nas Lundas aumentou significativamente.











